A Microsoft anunciou nesta terça-feira a criação do Xbox Labs, uma reação da empresa à explosão recente de ports, decompilações e remixes de jogos feitos por IA. O anúncio foi feito pela CEO do Xbox, Asha Sharma, em um memorando enviado aos funcionários e publicado no Xbox Wire.
Segundo Sharma, o Xbox Labs será “um pequeno grupo de criadores de jogos, engenheiros e cientistas cujo trabalho é transformar ideias emergentes em coisas que nossos jogadores e desenvolvedores possam experimentar”. A equipe será comandada por Scott Van Vliet, diretor de tecnologia do Xbox desde maio. “Vamos construir de forma aberta, aprender com o que as pessoas fazem e medir o sucesso pelo fato de mais pessoas estarem jogando e criando”, escreveu a executiva.
A motivação vem de um fenômeno recente da comunidade. “Nas últimas semanas, vimos jogos serem rapidamente decompilados e reconstruídos para rodar em hardware para o qual nunca foram projetados”, afirmou Sharma. A CEO citou versões de PC para Windows traduzidas para rodar em chips Apple Silicon ou portadas para navegadores por meio de WebAssembly e WebGPU, padrão que, segundo ela, já se aproxima de 90% de suporte entre os navegadores do mundo. “Talvez de forma ainda mais surpreendente, vimos muitos dos maiores jogos do mundo serem remixados dentro do código-fonte de outro”, acrescentou.
Para a executiva, esses experimentos desafiam premissas antigas do setor, como o vínculo entre software e hardware, a fronteira entre criar e jogar e a forma como as pessoas descobrem e experimentam jogos. “Embora seja difícil prever o futuro dos games, é fácil ver as possibilidades de tornar grandes jogos mais acessíveis, dar nova vida a jogos antigos e permitir que mais jogadores se tornem criadores e cocriadores”, escreveu. “São resultados inequivocamente bons para os jogadores, mesmo quando (e às vezes justamente porque) desafiam nossos modelos de negócio atuais.”
O memorando não usa o termo inteligência artificial, mas faz referência direta a agentes. “Programação se tornou a primeira grande aplicação de agentes porque eles conseguem escrever, executar e testar software. Os jogos compartilham muitas dessas mesmas características”, afirmou Sharma, lembrando que as pessoas passam mais de 72 bilhões de horas por ano jogando títulos do Xbox, cerca de cinco vezes o tempo estimado gasto escrevendo código no mundo todo. “Passamos 25 anos aprendendo a fazer grandes jogos, e quero que nossos criadores ajudem a definir o que essas novas tecnologias tornam possível.” Segundo ela, as ferramentas desenvolvidas pelo grupo serão compartilhadas com desenvolvedores de toda a indústria.
Muitos desses ports e remixes feitos pela comunidade, como o skate inserido em Call of Duty e Halo rodando no navegador, usam modelos de IA para ajudar os modders.
Sharma afirmou que as prioridades do Xbox não mudam. “Continuamos comprometidos com os 4Cs, com fazer grandes jogos, com nosso hardware e com ser guardiões responsáveis das propriedades intelectuais e das comunidades construídas em torno delas”, escreveu. “O Labs nos dá uma forma de explorar novas tecnologias sem abandonar o trabalho que já está em andamento.”
A executiva assumiu o Xbox em fevereiro, vinda da divisão CoreAI da Microsoft. Em seu primeiro memorando como CEO, prometeu que os jogos seriam “criados por humanos” com a tecnologia mais inovadora da empresa e que o Xbox não iria “inundar o ecossistema com lixo de IA sem alma”. Em maio, ela retirou o Gaming Copilot do celular e cancelou seu lançamento nos consoles. O anúncio do Xbox Labs também chega em meio à reestruturação anunciada em julho, que prevê cerca de 3.200 cortes até o fim do ano fiscal, aproximadamente 20% da força de trabalho do Xbox, e que no mês passado eliminou mais 268 vagas no Xbox Game Studios.