Depois de Star Wars: Zero Company e Star Wars: Galactic Racer, a Lucasfilm Games quer continuar abrindo espaço para estúdios fora do círculo das grandes publishers. Em entrevista a Christopher Dring no The Game Business Show, publicada em 15 de outubro, o vice-presidente da Lucasfilm Games, Douglas Reilly, disse que a empresa passou a ser mais flexível na hora de escolher parceiros, sem abrir mão da qualidade.
“Tentamos ser mais flexíveis sobre de quem estamos dispostos a receber propostas”, explicou. “Boas ideias podem vir de muitos lugares diferentes. Você não precisa necessariamente ser uma das cinco maiores publishers para fazer um grande jogo de Star Wars. Há alguns obstáculos. Temos um padrão de qualidade alto, e isso significa que normalmente trabalhamos com equipes mais experientes do que com aquelas sem histórico. Mas estamos explorando todo tipo de coisa, grande e pequena, com parceiros que vão surpreender as pessoas.”
Segundo Reilly, a aposta em projetos menores faz parte da estratégia da empresa. “Obviamente, jogos triple-A enormes como Battlefront sempre serão uma parte essencial da estratégia. Mas uma das grandes coisas de Star Wars é que a franquia tem todo tipo de oportunidade para contar histórias em gêneros diferentes. O objetivo tem sido encontrar o melhor parceiro para dar vida a essa experiência na galáxia muito, muito distante. E não precisa ser sempre triple-A; às vezes pode ser double-A. O que importa é a experiência que estamos entregando e a fantasia que estamos realizando.” O executivo disse ainda ter aprendido que, quando a Lucasfilm encontra os melhores parceiros, o lado comercial costuma se resolver.
Os dois exemplos recentes vêm de estúdios independentes formados por veteranos. Star Wars: Zero Company, jogo de estratégia por turnos lançado em 27 de agosto, foi desenvolvido pela Bit Reactor, que reúne profissionais da série XCOM, e publicado pela EA. Star Wars: Galactic Racer, lançado em 6 de outubro, é o primeiro jogo da Fuse Games, fundada por ex-líderes da Criterion, de Burnout, que já tinham trabalhado com a Lucasfilm em Battlefront. Segundo o The Game Business, Galactic Racer é o jogo de Star Wars mais bem avaliado em 20 anos, e Zero Company divide o segundo lugar.
No mesmo episódio, o CEO da Fuse, Matt Webster, disse que a Lucasfilm é mais do que uma licenciadora. “Você tem que incorporar isso à sua forma de trabalhar. É como qualquer outra restrição. Você não pode lutar contra ela, você trabalha com ela. E é uma honra e um privilégio fazer isso. Eles são os especialistas em Star Wars, e há desenvolvedores de jogos lá, o que é incrivelmente valioso”, afirmou. “Já trabalhei com outros licenciadores no passado, e é um modelo de transação de aprovações. Isto não é isso, nem de longe.”
A abertura começou há alguns anos. Em 2013, a EA fechou um acordo de exclusividade para publicar jogos de Star Wars, com término previsto para 2023. Na prática, a exclusividade acabou antes: em janeiro de 2021, a Lucasfilm Games anunciou um jogo de mundo aberto com a Ubisoft, que viria a ser Star Wars Outlaws. A EA, porém, continua parceira da franquia, e a Respawn trabalha no terceiro jogo da série Star Wars Jedi.