Depois do fechamento da BioWare, desenvolvedores que trabalhavam no próximo Mass Effect começaram a contar um pouco do que o estúdio preparava. Segundo eles, o jogo, que estava no início do desenvolvimento, buscava um nível de liberdade e de escolhas inédito e foi pensado como uma resposta ao que a Larian e a CD Projekt Red vinham fazendo.
Tony de Waal, supervisor de cinemáticas da BioWare, escreveu no LinkedIn que estava entre os cerca de 50 funcionários que continuaram no estúdio para trabalhar no novo jogo. “Eu fui um dos sortudos que ficaram na BioWare para começar o próximo Mass Effect, no qual acredito que estávamos fazendo algo especial: um nível de autonomia e de escolha que nenhum outro jogo conseguiu igualar”, afirmou. “Vimos o que a Larian e a CD Projekt estavam trazendo com seus lançamentos mais recentes e começamos um caminho para levar Mass Effect a outro nível, sem deixar de ser fiel à trilogia.” Ele não deu exemplos de como isso funcionaria no jogo. A Larian é a criadora de Baldur’s Gate 3, e a CD Projekt Red, de The Witcher 3 e Cyberpunk 2077 — todos eles jogos que estabeleceram um novo padrão de excelência para os RPGs.
“Fico triste porque vocês nunca vão ver o que estávamos preparando, e triste pelo grupo pequeno e talentoso de desenvolvedores que estavam todos dando o máximo para fazer algo especial”, escreveu de Waal. “Por favor, lembrem-se de quem ficou na BioWare até o fim. São de verdade algumas das pessoas mais talentosas com quem tive o prazer de trabalhar na minha carreira.”
De Waal começou na BioWare há mais de 29 anos, saiu depois do lançamento de Mass Effect 2 e voltou em 2021 para ajudar a colocar Dragon Age: The Veilguard “de volta nos trilhos”. Ele chamou o desenvolvimento do jogo de “um esforço hercúleo” e disse ter orgulho do acabamento alcançado na engine Frostbite. “Vocês não fazem ideia da loucura que acontece por baixo do capô daquele jogo para fazer um personagem variável funcionar em mais de três horas de cinemáticas”, contou. No fim do texto, ele avisa que está procurando um novo emprego.
Outro integrante da equipe, o escritor canadense de ficção científica Derek Künsken, revelou em uma sequência de publicações no X que trabalhou no jogo. Autor da série de space opera Quantum Evolution, ele venceu o Aurora Award, principal prêmio canadense do gênero, em 2021. “Nos últimos cinco anos, alternando entre roteirista contratado e roteirista sênior da equipe, eu esperava poder dizer onde trabalhava. Hoje finalmente recebi sinal verde: eu estava trabalhando no próximo Mass Effect”, escreveu. “Infelizmente, o sinal ficou verde porque a BioWare está sendo fechada.”
Künsken disse que, nas próximas semanas, deve saber o que pode contar sobre o que fez, viu e aprendeu no projeto. “Espero que seja mais do que nada. O que estávamos preparando era muito legal”, afirmou. Segundo ele, trabalhar com Parrish Ley e Mary DeMarle estará entre os pontos altos da sua carreira, e conhecer a escritora Catherynne M. Valente e trabalhar com ela na proposta de história, personagens e mitologia para “este próximo capítulo do universo de Mass Effect” foi “a colaboração mais energizante” que ele já teve. “Todos os cinquenta merecem ser elogiados e conseguir novos empregos”, completou.
Michael Gamble, que liderava o projeto e estava havia 17 anos na BioWare, também publicou no X para agradecer o apoio dos fãs e pedir indicações de vagas para a equipe. “Há muito talento neste time de veteranos, então se souberem de alguma vaga, por favor, mandem. Eu atesto pessoalmente por todos da minha equipe”, escreveu. E brincou: “Quanto a mim: pelo menos não vou precisar dizer que estou doente quando GTA 6 sair.”