MYSTIQUE, E A PERVERSÃO DIGITAL INTERATIVA

Os primeiros videogames pornôs, criados para o Atari 2600 entre os anos de 1980 e 1983, suscitaram muita curiosidade em todos os lugares por onde tenha se alastrado o império de diversões eletrônicas da Atari. No Brasil, o que acabou mais famoso foi o único jogo que se tem notícia de uma softhouse chamada Universal Gamex. O nome do jogo é X-Man, uma espécie de ET pré histórico que, do jeito que veio ao mundo, arrisca a ferramenta de trabalho num labirinto infestado de tesouras picotantes; só para chegar num lampejante quarto cor de rosa, onde uma honrada dama de companhia recebe suas estocadas, no ritmo preciso do joystick do Atari. E assim termina o ato sexual, com X-Man atingindo o clímax, e pondo-se a caminho de um novo quarto.


X-man e sua arma de amor. Este, que foi um dos jogos eróticos mais populares
no Brasil, era uma espécie de Pacman "com bolas". 

No Brasil, houve uma época em que esse tipo de jogo era cobiçado pela garotada. Depois, ficou estabelecido um senso comum de que a maior bizarrice era a jogabilidade precária dos tais. Após algumas risadas, não havia mais nada, nem para uma criança marota, e muito menos para um homem adulto, em condições mentais normais. 

Apesar dos pesares, era exatamente isso o que uma "renomada" produtora da década de 80, a Mystique, se propunha. Trata-se de um selo de uma empresa americana que publicava seus jogos com a licença da marca Sweddish Erotics, orientando o usuário em luxuosas instruções encadernadas em couro a "inserir gentilmente o cartucho em seu Atari". "O nosso desejo é provê-lo com o melhor dos jogos eletrônicos para adultos, com qualidade e humor. Nós queremos fazer você sorrir, ter um desafio e se divertir!".


Requinte e prazer se misturam nos jogos da devassa Mystique.

Fora uma ou outra esporádica aparição sensual de bips e pisca-piscas, esses jogos se evidenciaram mais pelo hábito de terem uma publicidade um tanto quanto escandalosa, e não marcaram muito a vida dos usuários tupiniquins do Atari. Pelo menos, não com a intensidade que experimentaram os americanos. Nos EUA, suas melhores intenções humorísticas não foram interpretadas dessa forma.

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