A Nintendo entrou com um processo contra o governo dos Estados Unidos contestando a legalidade de tarifas impostas sobre produtos importados durante o atual mandato do presidente Donald Trump. A ação judicial, revelada em reportagem do site Aftermath, representa um movimento incomum na indústria de videogames, já que poucos observadores esperavam que a empresa japonesa levasse a disputa diretamente aos tribunais federais.
No processo, a Nintendo argumenta que as tarifas — chamadas de “IEEPA Duties” na documentação legal — foram impostas de forma ilegal por meio de ordens executivas assinadas por Trump desde fevereiro de 2025. Segundo a empresa, essas medidas afetaram importações vindas de diversos países e geraram custos adicionais significativos para companhias que dependem da cadeia global de fabricação de hardware. A ação judicial foi direcionada contra vários integrantes do governo americano, incluindo o secretário do Tesouro Scott Bessent, a ex-secretária de Segurança Interna Kristi Noem, o representante comercial dos Estados Unidos Jamieson Greer, o comissário da Alfândega e Proteção de Fronteiras Rodney Scott e o secretário de Comércio Howard Lutnick.
De acordo com o texto da queixa, a Nintendo afirma ter legitimidade para processar o governo por ser a “importadora registrada” de diversos produtos atingidos pelas tarifas. Como consequência, a empresa foi diretamente responsável pelo pagamento dos encargos impostos pelas medidas. A companhia sustenta que sofreu prejuízos financeiros ao arcar com essas tarifas e argumenta que continuará enfrentando danos “iminentes e irreparáveis” caso a situação não seja revertida. Como parte do pedido judicial, a Nintendo exige que o governo devolva todos os valores pagos sob as chamadas IEEPA Duties, acrescidos de juros.
O processo surge quase um ano após o anúncio das tarifas. Em abril de 2025, a Nintendo revelou oficialmente o Nintendo Switch 2, coincidentemente no mesmo dia em que o presidente Trump anunciava seu plano de aumentar as tarifas globais. Na ocasião, a empresa chegou a adiar a abertura das pré-vendas do aparelho nos Estados Unidos, e posteriormente confirmou aumentos no preço de alguns acessórios quando as reservas finalmente foram liberadas.
Os efeitos das tarifas já haviam sido sentidos anteriormente no mercado americano. No ano passado, o preço do Nintendo Switch original foi reajustado no país. Embora a companhia tenha indicado que vários fatores contribuíram para o aumento, analistas apontaram que as tarifas comerciais estavam entre os elementos que pressionavam os custos de produção e distribuição. Desde então, executivos do setor têm alertado que o novo Switch 2 também poderia sofrer reajustes semelhantes, especialmente em um momento em que a indústria enfrenta dificuldades adicionais relacionadas à oferta de memória e componentes eletrônicos.
Até o momento, nem a Nintendo nem autoridades do governo americano divulgaram comentários adicionais sobre o processo.