Yoshihisa Kishimoto, precursor do gênero “beat ’em up” e criador dos clássicos Double Dragon e Kunio-Kun (Renegade) faleceu aos 64 anos. A notícia foi divulgada por seu filho por meio de uma publicação no Google, informando que o desenvolvedor morreu no dia 2 de abril de 2026.
Nascido em 17 de setembro de 1961, Kishimoto construiu uma carreira marcada por contribuições fundamentais ao gênero de briga de rua, o popular beat ’em up. Seu trabalho emblemático começou com Nekketsu Kōha Kunio-kun, lançado em 1986 e posteriormente renomeado como Renegade no Ocidente. O título tinha caráter semi-autobiográfico, inspirado na juventude do próprio criador, que ele descrevia como turbulenta e repleta de brigas de rua durante o ensino médio. Essa vivência, aliada à forte influência de filmes de artes marciais estrelados por Bruce Lee, ajudou a moldar a identidade de suas obras.
Foi, no entanto, com Double Dragon que Kishimoto consolidou seu legado. O jogo de luta lançado em 1987, enquanto o cinema produzia obras como Warriors: Os Selvagens da Noite e a maior parte da filmografia de Jean-Claude Van Damme, foi um enorme sucesso e ajudou a estabelecer diversas convenções que definiriam o gênero por décadas, como movimentação em múltiplas direções, modo cooperativo, uso de combos, botão de pulo e interação com o cenário — incluindo o uso de armas retiradas dos inimigos. Embora não tenha sido o primeiro a explorar a rolagem lateral, algo já visto em Kung-Fu Master, Kishimoto expandiu significativamente as possibilidades do estilo.
Antes de se tornar um dos principais nomes da Technos Japan, onde atuou como o primeiro diretor de desenvolvimento, Kishimoto iniciou sua trajetória na Data East. Lá, trabalhou em jogos de arcade baseados em Laserdisc, como Cobra Command e Road Avenger, este último conhecido no Ocidente por sua versão para Mega-CD. O título, com estética de desenho animado interativo e foco em eventos de tempo rápido, marcou época com sua abordagem cinematográfica e ação intensa.
Após deixar a Technos Japan nos anos 1990, Kishimoto seguiu carreira como freelancer e, aos poucos, se afastou dos holofotes na década seguinte. Ainda assim, manteve-se ativo em projetos menores, como a fundação da empresa Plophet em 2010 e o desenvolvimento de jogos de baixo orçamento, incluindo The Dungeon RPG e Rogue: Hearts Dungeon. Seu retorno à franquia que o consagrou, com Double Dragon IV, não teve grande repercussão, mas ele continuou contribuindo nos bastidores como consultor em títulos derivados, como Double Dragon Neon, River City Ransom: Underground e River City Girls.
A importância de Yoshihisa Kishimoto para a história dos videogames foi reconhecida também fora do Japão. Em 2012, o autor e historiador Florent Gorges lançou o livro Enter the Double Dragon, que detalha a vida e a carreira do desenvolvedor.