Shuhei Yoshida, executivo que foi um dos principais porta-vozes do PlayStation ao longo das últimas décadas, voltou a comentar publicamente sobre sua saída do comando dos estúdios da Sony, revelando que o CEO Jim Ryan o demitiu porque ele não o ouvia.
Yoshida, que construiu uma carreira de mais de três décadas na PlayStation, foi responsável por supervisionar alguns dos títulos mais marcantes da marca, incluindo Gran Turismo, Ape Escape e The Legend of Dragoon. Em 2008, ele assumiu a liderança da divisão então conhecida como Worldwide Studios (hoje PlayStation Studios), cargo que ocupou por mais de uma década.
Durante a edição de 2026 do festival australiano ALT: GAMES, o veterano executivo relembrou com certo humor, mas também franqueza, o momento de sua saída em 2019. Segundo ele, a decisão partiu do então CEO da Sony Interactive Entertainment, Jim Ryan.
“Depois de 11 anos liderando os estúdios first-party, fui demitido. Jim queria me tirar dessa posição porque eu não o escutava. Ele pedia algumas coisas ridículas, e eu dizia ‘não’”, afirmou Yoshida. O executivo ainda destacou que a relação de longa data entre os dois, desde os tempos do primeiro PlayStation, tornava a situação ainda mais delicada.
Apesar da saída do comando dos estúdios, Yoshida permaneceu na empresa, assumindo um papel focado no suporte a desenvolvedores independentes — uma área que ajudou a fortalecer até deixar a Sony definitivamente em janeiro de 2025.
Durante sua fala, Yoshida também relembrou contribuições importantes para franquias de peso, como God of War, Uncharted, The Last of Us e Ghost of Tsushima — este último sendo um dos últimos projetos acompanhados por ele antes da mudança de cargo.
A saída de Yoshida ocorreu em um momento de transição na liderança da PlayStation, com Hermen Hulst assumindo a chefia dos estúdios first-party. Desde então, a estratégia da empresa passou a incluir um foco mais agressivo em jogos como serviço — uma abordagem que teve resultados mistos.
Um dos casos mais emblemáticos foi o lançamento de Concord, que acabou se tornando um dos projetos menos bem-sucedidos da história recente da empresa. Embora Yoshida não tenha confirmado diretamente, suas declarações levantam dúvidas sobre se algumas das ideias que ele considerou “ridículas” poderiam estar relacionadas a essa guinada estratégica.
Nos últimos anos, a divisão PlayStation também enfrentou críticas devido ao fechamento de estúdios e demissões, incluindo impactos em equipes como a Bluepoint Games, conhecida pelo remake de Demon’s Souls. A desenvolvedora teria, inclusive, proposto um remake de Bloodborne após o cancelamento de um projeto de God of War — plano que não avançou.