Mesmo após anunciar um aumento global nos preços do Xbox Series X e Series S, a Microsoft continua vendendo seus consoles com prejuízo, segundo novas informações publicadas pelo jornalista Jez Corden, do Windows Central. O cenário, agravado pela forte alta no custo das memórias DRAM e NAND, pode levar a empresa a rever completamente a estratégia de preço e de modelo de negócios do seu próximo console, conhecido pelo codinome Project Helix.
De acordo com Corden, a Microsoft estaria perdendo aproximadamente US$ 150 por console vendido, mesmo após o reajuste de preços que entra em vigor em 1º de agosto. O aumento foi anunciado oficialmente pela empresa em junho e eleva os preços dos consoles em até US$ 150, dependendo do modelo. Ainda assim, o reajuste não seria suficiente para compensar o aumento dos custos de fabricação provocado pela disparada dos preços de componentes de memória.
Com a indústria de eletrônicos enfrentando uma forte pressão sobre os preços de DRAM e NAND, componentes essenciais tanto para consoles quanto para PCs, smartphones e servidores de IA, o modelo de um console vendido a preço popular está se tornando economicamente inviável. E as previsões apontam que esses custos podem continuar elevados até 2027 e até dobrar novamente em determinados segmentos.
Historicamente, fabricantes como Microsoft, Sony e Nintendo costumam vender hardware com margens muito reduzidas — ou até mesmo no prejuízo — compensando essas perdas posteriormente por meio da venda de jogos, assinaturas e royalties cobrados de desenvolvedores. No caso atual do Xbox, entretanto, o aumento no custo dos componentes estaria tornando esse modelo muito mais difícil de sustentar.
Esse cenário também ajuda a explicar uma possível mudança de direção em relação ao Project Helix. Nos últimos meses, diversos rumores apontavam que a próxima geração do Xbox permitiria instalar lojas de terceiros, incluindo o Steam, aproximando o console de um PC tradicional.
Agora, Jez Corden afirma que essa possibilidade perdeu força justamente por razões econômicas. Se a Microsoft continuar subsidiando o hardware, mas permitir que parte significativa dos jogadores compre jogos diretamente no Steam, a empresa deixaria de receber a receita proveniente da venda desses títulos na Microsoft Store — justamente a principal fonte para compensar o prejuízo do console.
Segundo o jornalista, caso metade dos usuários migrasse suas compras para o Steam, o modelo de negócios simplesmente deixaria de ser sustentável. Esse novo contexto deixa a Microsoft diante de duas possibilidades principais para o próximo Xbox.
A primeira seria manter um console fortemente subsidiado, semelhante às gerações anteriores, porém restringindo a distribuição de jogos ao ecossistema Xbox para preservar a receita obtida com software e serviços.
A segunda seria transformar o Project Helix em um PC praticamente aberto, capaz de executar diversas lojas digitais. Nesse caso, porém, o aparelho teria de ser vendido com uma margem muito maior — ou até mesmo com lucro — aproximando seu preço do praticado por dispositivos como o ROG Xbox Ally e outros PCs portáteis.
Em outras palavras, um Xbox mais aberto poderia significar também um Xbox significativamente mais caro.
Embora o debate esteja centrado no Xbox, o aumento no custo das memórias não afeta apenas a Microsoft. Fabricantes de PCs, notebooks, placas de vídeo e outros eletrônicos também vêm enfrentando pressão semelhante, o que explica reajustes recentes em diversos segmentos. Isso significa que o eventual aumento no preço do Project Helix pode refletir uma tendência mais ampla da indústria, e não apenas uma decisão estratégica da divisão Xbox.
Até o momento, a Microsoft não comentou oficialmente as alegações sobre prejuízo por unidade nem confirmou detalhes sobre o modelo de negócios do Project Helix. O console já foi anunciado sob esse codinome e deverá combinar jogos de Xbox e Windows, mas suas especificações, preço e formato comercial ainda não foram revelados.