A Electronic Arts concluiu oficialmente sua venda para um consórcio liderado pelo Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, encerrando uma trajetória de 36 anos como empresa de capital aberto na Nasdaq. A transação de US$ 55 bilhões, considerada o maior leveraged buyout (LBO) da história, também reacendeu preocupações sobre uma possível onda de demissões e cortes de custos na editora de franquias como EA Sports FC, Battlefield, The Sims e Apex Legends.
Com o fechamento do negócio, as ações da EA deixaram de ser negociadas na Nasdaq em 4 de agosto. Os acionistas receberam US$ 210 por ação em dinheiro, conforme previsto no acordo anunciado no ano passado. O PIF passou a deter aproximadamente 93,4% da companhia, enquanto Silver Lake e Affinity Partners ficaram com participações minoritárias.
Em comunicado, o CEO Andrew Wilson afirmou que a nova estrutura permitirá que a empresa invista em projetos de longo prazo sem a pressão dos resultados trimestrais do mercado financeiro. Segundo ele, o novo grupo controlador oferecerá capital, experiência e suporte estratégico para impulsionar a próxima fase da EA.
Apesar do discurso otimista da direção, os primeiros sinais após a aquisição indicam que a companhia poderá iniciar uma reestruturação. Com uma dívida de US$ 18 bilhões contraída na alavancagem do negócio, o consórcio agora estuda medidas para reduzir despesas operacionais e custos com juros. Entre as possibilidades discutidas estariam novas demissões, reorganização de estúdios e maior foco nas franquias de maior retorno financeiro.
Embora ainda não exista um anúncio oficial sobre o número de funcionários afetados, rumores indicam que a empresa pretende apresentar um plano de redução de custos nas próximas semanas.
A EA já realizou diversas rodadas de demissões nos últimos anos. Em 2025, centenas de profissionais foram desligados em diferentes estúdios, incluindo Respawn Entertainment e Codemasters, além do fechamento da Cliffhanger Games e do cancelamento do jogo do Pantera Negra. A expectativa é que a nova administração mantenha a estratégia de concentrar recursos nas propriedades intelectuais mais lucrativas.
Analistas apontam que grandes aquisições financiadas por dívida costumam ser acompanhadas por programas de eficiência operacional, já que parte significativa do fluxo de caixa passa a ser destinada ao pagamento dos financiamentos utilizados na compra.
Além dos cortes de custos, também é esperado que a EA acelere o uso de inteligência artificial em processos internos de desenvolvimento e produção de jogos, iniciativa que já vinha sendo discutida antes mesmo da conclusão da aquisição.