As cópias físicas de Resident Evil Requiem no PlayStation renderam 1,8 vez mais que todas as cópias vendidas do jogo no Xbox, incluindo as digitais e as de PC pelo Xbox. A estimativa é da newsletter da Alinea Analytics, assinada pelo analista Rhys Elliott e publicada nesta terça-feira (20), que analisa as vendas físicas dos principais lançamentos de 2026 no PlayStation. A comparação é feita em receita, e não em número de cópias.
Segundo a Alinea, Requiem vendeu 1,3 milhão de cópias físicas no PlayStation neste ano, o que gerou mais de US$ 92,3 milhões em receita. Isso representa cerca de 15% da receita do jogo em todas as plataformas e 30,2% da receita no PlayStation. O jogo da Capcom aparece no topo do ranking de lançamentos de 2026 por cópias físicas vendidas no PlayStation, mas é apenas um dos exemplos citados.
Os jogos do topo da lista são, em sua maioria, AAA para um jogador, e juntos somam US$ 1,2 bilhão em receita com mídia física. 007 First Light, Assassin’s Creed Black Flag Resynced e Crimson Desert têm menos de 30% de vendas físicas no PlayStation. Já Marvel’s Wolverine, da própria Sony, vendeu quase 800 mil de seus 2,6 milhões de cópias em disco, e a receita física, de cerca de US$ 64,6 milhões, equivale a 32,3% do total do jogo.
Os jogos ligados ao Japão têm uma fatia física ainda maior. Pragmata vendeu 442 mil cópias físicas (US$ 26,4 milhões), 44% do total de cópias, e Onimusha: Way of the Sword vendeu 423 mil (US$ 30,2 milhões), 44,1% do total. Segundo a Alinea, o Japão responde por 12% das cópias de Onimusha no PlayStation e por 11% das de Pragmata, e os consumidores japoneses ainda preferem a mídia física mais que os de qualquer mercado ocidental. “Está enraizado na cultura”, escreve Elliott. Silent Hill Townfall (41,3% das cópias em disco), Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties (46,7%) e o remake de Fatal Frame II: Crimson Butterfly (50,7%) seguem a mesma tendência. Para o analista, o {JP}, com o leitor de disco vendido separadamente por cerca de US$ 76, é uma forma de empurrar os japoneses para o digital.
Nos jogos de esporte, a situação é bem diferente. EA Sports FC 27, o lançamento de 2026 que mais faturou no PlayStation, com US$ 727,9 milhões, teve apenas 8,9% da receita (US$ 64,9 milhões) vinda de cópias físicas. NBA 2K27 tem 4,6% de receita física; College Football 27, 4,8%; Madden 27, 6,9%; e MLB The Show 26, 7,6%. Segundo Elliott, isso acontece porque a maioria joga esses títulos pelos modos de cartas, como Ultimate Team, e as edições digitais de luxo dão vantagens nesses modos.
No total, a Alinea estima que os jogos físicos lançados em 2026 renderam mais de US$ 655 milhões no PlayStation, bem menos de 20% da receita dos lançamentos do ano. Os dados chegam em meio à polêmica da decisão da Sony, que deixará de produzir discos para jogos de PS5 lançados a partir de janeiro de 2028. Para Elliott, a Sony não deve perder muita receita com a mudança, mas a decisão incomoda justamente o público dos grandes jogos para um jogador, que mais compra discos. “A reação é, em grande parte, de uma minoria barulhenta dentro de uma minoria da receita. Mas é uma minoria que importa muito, e que gasta muito dinheiro no PlayStation”, escreve.