A Amazon confirmou oficialmente que New World será encerrado de forma definitiva em 31 de janeiro de 2027, colocando um ponto final no MMORPG lançado em 2021 pelo braço de games da companhia. O jogo já havia tido seu destino praticamente selado em outubro, quando a empresa anunciou que não produziria mais novos conteúdos e, pouco depois, removeu discretamente New World das lojas digitais, impedindo novas compras.
O anúncio ocorre em um contexto de forte retração da Amazon Games. Nos últimos meses, a empresa também cancelou o MMO de O Senhor dos Anéis que estava em desenvolvimento e promoveu cortes significativos em suas equipes. Ainda assim, a decisão surpreendeu parte dos jogadores, já que New World vinha apresentando sinais de recuperação. Atualizações recentes haviam melhorado a percepção do jogo e impulsionado lentamente o número de jogadores ativos, embora esse crescimento tenha ficado aquém das expectativas internas da Amazon.
Com a confirmação do encerramento, a comunidade passou a discutir alternativas para manter o jogo vivo, inspirada por casos emblemáticos do gênero. O exemplo mais citado é City of Heroes, MMORPG encerrado em 2012 pela NCSoft e que acabou ressurgindo anos depois graças a servidores privados, culminando em uma licença oficial concedida em 2024 ao servidor Homecoming. Para muitos fãs de New World, essa seria a esperança máxima: uma forma de preservar o mundo de Aeternum além da decisão corporativa de desligá-lo.
O público também mantém alguma esperança na possibilidade da Amazon vender o jogo ou entregá-lo nas mãos de interessados em mantê-los. Neste contexto, uma boa notícia surgiu hoje com uma mensagem publicada por Alistair McFarlane, COO e diretor da Facepunch Studios, desenvolvedora britânica conhecida por Rust e Garry’s Mod, na qual ele divulga uma proposta pública de US$ 25 milhões para comprar New World da Amazon. Na mensagem, McFarlane afirmou que “jogos nunca deveriam morrer”, sinalizando, ao menos em discurso, interesse em salvar o MMO. A possibilidade de um estúdio experiente assumir o projeto foi recebida com entusiasmo por parte da comunidade, já que representaria uma alternativa muito mais sólida do que iniciativas amadoras ou servidores não oficiais.
A ideia não é totalmente fora de precedentes dentro da própria Amazon. Durante sua recente reestruturação, a empresa vendeu o MOBA March of Giants para a Ubisoft, junto com a equipe responsável pelo projeto, baseada em Montreal. O caso de New World, no entanto, é mais complexo. Grande parte da equipe original do MMO já foi dispensada ou realocada, o que exigiria que qualquer comprador montasse praticamente um novo time para manter o jogo operacional e produzir conteúdo adicional.
Esse desafio é ainda maior por se tratar de um MMO fortemente orientado a conteúdo desenvolvido pelos próprios criadores, e não a experiências emergentes geradas pelos jogadores. Diferentemente de sandbox como Rust, New World depende de atualizações regulares, eventos e expansões para se sustentar ao longo do tempo. Mesmo que adquirisse a licença, a Facepunch — ou qualquer outro estúdio — precisaria investir continuamente para evitar que o jogo entrasse em estagnação.
Até o momento, não está claro se a proposta de US$ 25 milhões foi uma oferta formal ou apenas uma manifestação pública de interesse. A Facepunch ainda não confirmou oficialmente se pretende levar a negociação adiante, e a Amazon também não comentou a possibilidade de venda. Enquanto isso, New World segue com seus servidores ativos até janeiro de 2027, dando aos jogadores pouco mais de um ano para explorar Aeternum, se despedir de suas comunidades ou, quem sabe, aguardar por uma reviravolta improvável que impeça o desaparecimento definitivo do jogo.