A saída de Phil Spencer da liderança do Xbox e a nomeação de Asha Sharma como nova CEO da divisão de jogos não seria um prenúncio do fim, como acredita o co-criador da marca, mas uma tentativa de corrigir o curso e salvar o Xbox, de acordo com pessoas ouvidas pelo jornalista Tom Warren, uma fonte geralmente bem informada sobre os assuntos da Microsoft.
Segundo Warren, a Microsoft está genuinamente preocupada com o futuro do Xbox e ainda acredita que é possível salvar a divisão por meio de uma reformulação profunda na liderança e na estratégia, que inclui não apenas a saída de Spencer como a da segunda no comando, Sarah Bond, que em certo momento foi considerada a sucessora natural ao cargo de CEO.
Spencer, que assumiu a presidência do Xbox em 2014 e se tornou CEO da divisão de jogos em 2022, decidiu se aposentar após um período particularmente desgastante, marcado pela longa batalha regulatória para comprar a Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões e pela tentativa de reposicionar o Xbox como uma marca “em qualquer lugar”, e não apenas um console, uma estratégia que também marcou a passagem de Bond pela divisão Xbox. No entanto, nos últimos três anos fiscais as receitas de hardware caíram continuamente, e a integração da Activision trouxe demissões e fechamentos de estúdios que deixaram cicatrizes internas.
A saída de Bond, promovida a presidente logo após o fechamento da aquisição da Activision em outubro de 2023, foi ainda mais abrupta e gerou alívio entre a maioria dos funcionários com quem Warren conversou. Bond apostou tudo na visão “Xbox em qualquer lugar”, transformando celulares e tablets em “Xbox” e priorizando mobile e nuvem em detrimento do console tradicional. O resultado foram campanhas confusas, como o “This is an Xbox” de 2024, atrasos sucessivos na loja mobile de jogos (anunciada para julho de 2024 e ainda sem data) e uma sensação generalizada de que o presente estava sendo sacrificado em nome de um futuro incerto. Internamente, sua gestão era vista como rígida: quem discordava da estratégia era marginalizado, e vários executivos chave deixaram a empresa nos últimos meses.
Com as duas saídas, a Microsoft decidiu virar a página de forma radical. Asha Sharma, que até então comandava a divisão CoreAI da empresa, assumiu o comando da Microsoft Gaming sem qualquer experiência prévia em jogos — ela nem é gamer. Mesmo assim, fontes internas descrevem a executiva como entusiástica, disposta a aprender e especialmente forte em execução e aquisição de usuários, exatamente os pontos onde o Xbox mais patinou recentemente. Em comunicado interno, Sharma prometeu “o retorno do Xbox” e o resgate do “espírito renegado” que construiu a marca nos tempos do Xbox 360. Ela foi enfática ao dizer que jogos continuarão sendo arte feita por humanos e que a empresa não vai perseguir “eficiência de curto prazo nem inundar o ecossistema com AI desleixada sem alma”.
O tom dos memorandos internos e das conversas com fontes mostram que a Microsoft não está abandonando o Xbox, pelo menos por enquanto. A empresa enxerga a divisão como uma das poucas marcas de sucesso voltadas ao consumidor em seu portfólio e teme perdê-la. Por isso, a chegada de Sharma é vista como um reset estratégico. Um novo hardware do Xbox está em desenvolvimento, embora sem cronograma definido, e a expectativa é que a divisão volte a priorizar o que realmente diferencia o Xbox, em vez de diluir sua identidade em múltiplas plataformas. Funcionários relatam um misto de alívio e otimismo, com uma demonstração de disposição para corrigir o rumo antes que seja tarde.