Richard Garriott vai voltar a ter controle sobre Ultima. O criador da influente série de RPGs e MMOs confirmou, durante entrevista ao canal Jesse Petrilla, que deve recuperar em breve os direitos autorais da franquia, que pertencem à Electronic Arts há mais de três décadas.
Considerada uma das séries mais influentes dos primórdios do RPG, Ultima ajudou a estabelecer muitas das convenções do gênero, especialmente na construção de mundo e na exploração. Garriott vendeu a franquia à EA em 1992, junto com a Origin Systems, estúdio que havia fundado com o irmão e o pai, em um negócio de US$ 30 milhões. Ele continuou na empresa por anos, dirigindo vários RPGs da série e atuando como produtor de Ultima Online, um dos MMORPGs mais marcantes da história.
A relação terminou no fim da década de 1990, quando a EA cancelou todos os projetos em desenvolvimento da Origin em parte por causa da recepção ruim de Ultima IX: Ascension, lançado em 1999 e até hoje o último jogo da linha principal. A Origin ainda passou alguns anos mantendo Ultima Online e trabalhando em outro título online da série, que acabou cancelado, até ser fechada pela EA em 2004. Desde então, a publisher tentou reviver a marca duas vezes como jogo free-to-play, a mais recente com Ultima Forever, de 2013.
A retomada se apoia na Seção 203 da Lei de Direitos Autorais dos Estados Unidos, que permite aos autores encerrar transferências de copyright depois de 35 anos. No caso de Ultima, essa janela está a poucos meses de se abrir, e Garriott já notificou a EA. “Eu vendi a Origin para a Electronic Arts em 1992, e existe uma lei de direitos autorais muito estranha nos Estados Unidos que diz que, se você é o detentor original de um copyright e o cede ou vende para qualquer publisher ou outra entidade, depois de 35 anos você pode simplesmente pegá-lo de volta”, explicou.
“Não é preciso transferir dinheiro nenhum. Basta avisar com um ano de antecedência. Então, em abril deste ano, eu disse à Electronic Arts: ‘aliás, vou pegar de volta os direitos autorais de Ultima’, e eles responderam: ‘sim, sabemos que essa é a lei. Vamos agir de acordo'”, contou Garriott. Ele afirmou ainda estar em conversas ativas com a EA para avaliar se há algum projeto de Ultima que as duas partes possam desenvolver juntas antes de os direitos voltarem para ele.
“Vamos descobrir, mas eu os recebo oficialmente em 2027”, disse. “Tenho quase um ano para entender o que isso significa. Mas, no mínimo, significa que eu poderia relançar os primeiros Ultima, e também que poderia fazer continuações deles. O ponto é que terei novamente o controle sobre o futuro da minha linha de produtos mais importante.”
Resta saber quais são os planos de Garriott para a série dentro do contexto de um mercado cada vez mais concorrido e arriscado, mas remakes ou remasterizações simples dos primeiros jogos parecem apostas seguras.
Depois de deixar a EA, Garriott fundou a Destination Games, que se associou à sul-coreana NCsoft para lançar o MMO Tabula Rasa em 2007. O jogo foi encerrado em 2009, após vendas abaixo do esperado. No mesmo período, o designer também se tornou astronauta privado e passou 12 dias a bordo da Estação Espacial Internacional, em 2008.
