O Don’t Nod, estúdio francês de Life is Strange, publicou um comunicado de resultados do primeiro semestre de 2026 que coloca a própria sobrevivência sob aviso formal.
A capacidade do estúdio continuar operando depende, em parte, de financiamento externo, e a empresa registra “incerteza significativa” quanto à continuidade das atividades além de 31 de janeiro de 2027.
Os números explicam o tom de preocupação com o futuro do Don’t Nod. A receita do semestre ficou em 6,1 milhões de euros (−14% ante o mesmo período de 2025); as vendas caíram para 3,46 milhões (ante 6,59 milhões); o EBITDA operacional foi de −4,3 milhões. O caixa, que era de 15,4 milhões no fim de 2025, chegou a 9,8 milhões em 30 de junho e a 8,0 milhões no fim de julho. Em paralelo, o conselho aprovou um projeto de transformação que recentraliza a produção no estúdio francês, sem recorrer ao outsourcing, e pode levar a um ajuste de até 90 postos no país.
O presidente e CEO Oskar Guilbert atribuiu parte do problema a um mercado com financiamentos mais seletivos e receitas mais incertas, o que leva o estúdio a adaptar seu modelo “com lucidez e responsabilidade”. O projeto, disse, é indispensável para a continuidade da sociedade. Recentemente, a Tencent, uma das principais investidoras do estúdio, se recusou a liberar mais financiamento de curto prazo para projetos.
Embora a dispensa de 90 funcionários não signifique, por si só, o fim do estúdio, o aviso é claro: sem dinheiro novo ou um jogo de sucesso milagroso, o Don’t Nod não consegue ver uma saída para sua crise e prevê que irá fechar as portas no fim de janeiro.