Enquanto a Sony desiste dos ports para PC e ignora Bloodborne, que sequer recebeu uma atualização oficial para o PS5, os fãs resolveram meter a mão na massa e agora são responsáveis por viabilizar o clássico da FromSoftware no PC em uma versão que não depende de um emulador.
Um projeto chamado bbport permite executar Bloodborne em um computador com Linux sem utilizar o emulador geral de PS4 shadPS4 da maneira tradicional. A compilação roda diretamente o executável original de Bloodborne para PS4, especificamente o CUSA03173 na versão 1.09, em uma máquina Linux equipada com processador x86-64. Segundo a descrição do projeto, ele não é um emulador geral: em vez de reproduzir o funcionamento completo de um PlayStation 4 para executar diferentes jogos, o bbport foi desenvolvido especificamente para Bloodborne e substitui as bibliotecas do sistema do console por um pequeno runtime criado para o jogo.
Isso é possível em parte porque o processador do PS4 também utiliza a arquitetura x86-64. O executável original do jogo, portanto, contém código que pode ser executado diretamente pelo processador de um PC, enquanto o projeto fornece as funções específicas do sistema do PS4 de que Bloodborne precisa.
A parte gráfica, porém, é mais complexa. O projeto utiliza uma versão bastante modificada e ampliada da tecnologia do shadPS4 para lidar com o processamento da GPU e traduzir o trabalho gráfico para Vulkan. Por isso, embora o projeto seja apresentado como um port nativo e execute diretamente o código do jogo no processador, ele não é uma conversão tradicional em que todo o código de Bloodborne foi recompilado do zero para APIs de PC. Trata-se de uma solução híbrida e específica para o jogo.
O resultado também permite obter desempenho e recursos que não estavam disponíveis na versão original. O bbport oferece taxas de quadros desbloqueadas, com opções de 30, 60 e 90 fps, além de suporte a diferentes versões do FidelityFX Super Resolution da AMD, incluindo FSR 3.1, FSR 4 e FSR 4.1.1.
O projeto também implementa processamento gráfico em duas threads para o trabalho da GPU, uma mudança que ajuda a contornar uma das principais limitações de desempenho encontradas no jogo original. Há ainda um menu próprio para configurar resolução, upscaling, nitidez e diferentes efeitos gráficos.
Entre os recursos adicionais estão suporte a mods, câmera livre e um launcher para Windows. Também foi disponibilizada uma versão em formato AppImage voltada ao Steam Deck, facilitando a execução do projeto no portátil da Valve.
Para utilizar o bbport, entretanto, o jogador precisa possuir os arquivos originais de Bloodborne. O projeto não distribui o jogo e exige que o usuário forneça sua própria cópia, especificamente os arquivos correspondentes à versão 1.09. A implementação também requer uma GPU compatível com Vulkan 1.3, enquanto recursos como FSR são recomendados para placas RDNA 2 ou mais recentes. O suporte e os testes em GPUs Nvidia e Intel ainda são mais limitados.
Apesar do avanço, o projeto ainda não deve ser encarado como uma versão definitiva para PC. A implementação não foi formalmente verificada em uma campanha completa do início ao fim e foi testada em um número limitado de configurações de hardware. Assim, usuários podem encontrar problemas de estabilidade, glitches gráficos e outros bugs dependendo do computador utilizado.