A CD Projekt Red terminou de definir o mundo de Hadar, sua primeira franquia totalmente original, mas o jogo ainda está longe. Em entrevista à agência polonesa PAP Biznes, o co-CEO Michał Nowakowski disse que a equipe já começou a trabalhar no jogo, mas que o projeto ainda nem chegou à pré-produção.
“Esse foi até agora nosso maior empreendimento, que nos tomou vários bons anos, mas neste momento podemos dizer que temos uma visão coerente desse mundo e de seus elementos-chave. A equipe começou a trabalhar no jogo, embora ainda não seja uma pré-produção”, afirmou. “Atualmente, já estão sendo criados pequenos protótipos, e também estão em andamento testes de elementos de gameplay.”
Anunciado em outubro de 2022, Hadar não é baseado em nenhuma obra existente, ao contrário de The Witcher, criado pelo escritor Andrzej Sapkowski, e de Cyberpunk, que vem do RPG de mesa de Mike Pondsmith. Em março, Nowakowski já tinha dito que a equipe havia estabelecido as bases dessa nova IP, com características bem definidas do mundo e pilares que poderiam servir não só ao jogo, mas também a outros produtos no futuro, e que os protótipos estavam sendo feitos na Unreal Engine.
O projeto ainda é pequeno perto dos outros do estúdio. Segundo o último relatório financeiro da CD Projekt, de setembro, 33 pessoas trabalhavam em Hadar em 31 de julho, contra 519 em The Witcher 4, 184 em Cyberpunk 2 e 84 em Project Sirius, o jogo multiplayer no universo de The Witcher. Sobre Sirius, Nowakowski explicou que o ajuste recente no tamanho da equipe se deveu à fase do projeto. “A equipe do Sirius simplesmente cresceu além do momento de iteração em que ele está, e esse foi o principal motivo dessas mudanças”, disse, acrescentando que, por ser o primeiro jogo desse tipo do estúdio, a empresa está sendo muito cuidadosa ao mostrar elementos dele.
Nowakowski também falou de The Witcher 4, que chamou de “a nossa produção mais ambiciosa até hoje, como mostra também a escala dos investimentos”, e confirmou que o foco é em três plataformas: PC, PS5 e Xbox Series X|S. “Nossa estratégia é não nos repetirmos. Nossa ambição é que cada título traga novas soluções de narrativa e gameplay, tanto nas missões principais quanto nas secundárias”, disse. “O novo Witcher precisa ter aquilo que fez os jogadores amarem esse universo. Ao mesmo tempo, queremos que, ao se sentarem para jogar, eles tenham certeza de que ele expande os limites do que é um RPG e de que é tecnologicamente avançado.” O jogo tem lançamento previsto para 2028.
O executivo comentou ainda a decisão da Sony de abandonar as cópias físicas de jogos de PlayStation em 2028. Segundo ele, como são as fabricantes de consoles que controlam a produção dos discos, há pouco que o estúdio possa fazer. “Não funciona assim: o estúdio decidir lançar um jogo e entregar ele mesmo a versão física no mercado. Por isso, se uma fabricante fecha completamente o caminho para lançar jogos em mídia física, eles simplesmente não vão existir”, disse. Nowakowski garantiu, porém, que a CD Projekt não pretende abandonar as edições em caixa. “Continuamos querendo lançar cópias físicas dos nossos títulos. Mesmo que, no fim, seja uma caixa com um código e brindes ligados aos nossos jogos, vamos querer colocar esse produto no mercado.”
Por fim, ele disse estar satisfeito com as vendas de The Witcher 3 depois do Remaster. “Houve um período promocional nas liquidações de outono na maioria das plataformas, mas, curiosamente, mesmo depois do fim das promoções, vemos que as vendas se mantêm num nível mais alto do que antes do remaster”, afirmou. O jogo bateu seu recorde de jogadores simultâneos na Steam no dia do lançamento do Remaster, com mais de 120 mil pessoas, e superou a marca de novo em 4 de outubro, com quase 138 mil. “Para ser sincero, esperávamos números recordes só com Songs of the Past”, disse, referindo-se à expansão que está sendo produzida com a Fool’s Theory para 2027 e que terá tamanho próximo ao de Blood and Wine.