O criador do God of War original não gostou nem um pouco de God of War: Sons of Sparta, o spin-off no estilo Metroidvania 2D lançado de surpresa na semana passada.
Desenvolvido pelo Mega Cat Studios em parceria com o Santa Monica Studio, God of War: Sons of Sparta conta “uma história canônica ambientada na juventude de Kratos, durante seu árduo treinamento na Agoge ao lado de seu irmão Deimos” com gráficos no estilo “pixel art” e jogabilidade típica do estilo Metroidvania. O jogo é exclusivo do PS5 e custa R$ 170.
David Jaffe, principal criador do God of War original, comprou God of War: Sons of Sparta, jogou uma hora e ficou desgostoso o bastante para fazer um “review” pelo seu canal no YouTube. Seu veredicto? God of War: Sons of Sparta é uma produção muito inferior aos vários Metroidvania independentes lançados nos últimos anos e um jogo que não respeita o legado da série.
“Comprei este jogo. Custa 30 dólares. Não gostei. Não recomendo. Mas queria fazer um vídeo mais sobre ‘o que eles estavam pensando?’. Tipo, ‘que diabos eles estavam pensando?’”, questionou Jaffe no começo de sua análise.
O ex-diretor de God of War afirma que um ex-membro do Santa Monica Studio lhe disse que o estúdio estaria mais focado na história do que na jogabilidade atualmente, e Jaffe percebeu isso pelo excesso de cenas de diálogo que interrompem a ação em Sons of Sparta.
“O que eu joguei – que foi apenas cerca de uma hora, e nunca mais voltarei a jogar – é tipo ‘superem isso, cara’”, disse ele. “É como se eles ficassem parando a cena o tempo todo e fazendo os personagens falarem, falarem e falarem. E a dublagem não é muito boa”.
Não foi apenas a forma como o jogo desenvolve a história que desagradou Jaffe, mas a própria premissa de um Kratos moleque não faz sentido para ele.
“Quero que vocês pensem na escolha que essa equipe e a Sony Santa Monica tiveram. A ideia de dizer: ‘Ei, queremos um jogo God of War em 2.5D no estilo Metroidvania’. A maioria dos jogadores, os jogadores hardcore, diriam: ‘Meu Deus, sim, por favor’. A ideia é que seja tipo: ‘E não queremos que seja o Kratos que vocês conhecem e amam, seja do God of War de 2018 ou da trilogia grega de God of War. Dane-se, esse personagem é chato. Ninguém gosta desse Kratos em que construímos franquias bilionárias. Vamos transformá-lo em um moleque genérico qualquer, como se estivéssemos assistindo a um desenho animado da WB Kids ou algo assim’. Não faz o menor sentido”, protestou o criador do personagem.
Jaffe continua sua crítica dizendo que os fãs prefeririam ter jogado algo mais parecido com Blasphemous, um Metroidvania com estilo artístico semelhante e que é muito mais violento e sangrento, com a atmosfera mais parecida com aquela dos primeiros God of War. Para ele, God of War: Sons of Sparta não está no mesmo nível, nem se compara com outros Metroidvanias lançados recentemente.
“A qualidade da produção não é muito boa em comparação com o que tivemos no ano passado”, disse ele. “Se você observar a variedade de jogabilidade e a alegria de jogar um jogo como Ninja Gaiden: Ragebound, se você observar a arte, o nível de detalhes e os cenários genuinamente interessantes em Neon Inferno – que também foi lançado no final do ano passado, e que é um excelente jogo de tiro, aliás, eu recomendo muito. E se você observar o valor de produção de Shinobi [Art of Vengeance], o Shinobi em 2D, veja só. As pessoas querem esse valor de produção, querem essa atmosfera, querem o Kratos clássico”.
A jogabilidade de God of War: Sons of Sparta também falhou para Jaffe, que a considerou apenas “funcional” e sem a visceralidade típica de um God of War. “Não há nada de ofensivo nela. A única coisa ofensiva é o seu caráter genérico, se é que essa palavra existe”, disse ele. “A única coisa ofensiva nela é a incapacidade de respeitar a licença, a marca. É como se você conseguisse a licença do John Wick e fizesse um filme só sobre ele sentado em uma cafeteria conversando”.
“Aliás, eu não preciso de orçamentos enormes. Eu adoraria uma produção melhor, animações mais fluidas, isso e aquilo, mas não preciso disso, certo? Se a jogabilidade fosse interessante, se fosse violenta, se tivesse personalidade, se você abrisse o jogo e os jogadores pensassem ‘meu Deus, nunca imaginei esse tipo de mecânica em um jogo assim’ ou ‘isso é muito divertido’, você poderia fazer algo super barato, como parece ser o caso aqui. Não consigo imaginar que tenha custado tanto dinheiro para fazer. Mas por que lançar isso? Tudo o que isso faz é deixar um gosto amargo na boca dos fãs de God of War, pelo menos na minha opinião”, concluiu o ex-diretor de God of War.