O novo filme de Street Fighter estreou sob uma chuva de críticas negativas. O longa dirigido por Kitao Sakurai, conhecido pelo trabalho no Eric Andre Show, tem 45% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes, com base em 64 resenhas, e nota média de 5 de 10. Entre o público, o cenário é bem diferente: a nota dos espectadores verificados está em 83% — um clássico caso de descolamento entre opiniões da crítica e público, o que tende a indicar um sucesso comercial. O filme chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira e estreia nos Estados Unidos nesta sexta (16).
Ambientado em 1993, o filme acompanha Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo), lutadores afastados que voltam ao combate quando a misteriosa Chun-Li (Callina Liang) os recruta para o próximo World Warrior Tournament, que esconde uma conspiração mortal. O elenco ainda tem David Dastmalchian como M. Bison, Cody Rhodes como Guile, Curtis “50 Cent” Jackson como Balrog, Jason Momoa como Blanka, Roman Reigns como Akuma, Orville Peck como Vega, Vidyut Jammwal como Dhalsim, Andrew Schulz como Dan Hibiki e Eric André como o locutor Don Sauvage. A produção é da Legendary Pictures com a Capcom, e a distribuição é da Paramount.
Entre as críticas mais duras está a do site Polygon. Jake Kleinman elogia Dastmalchian, que faz de M. Bison “uma aula de camp de filme B”, mas diz que ninguém mais no elenco chega perto do nível dele e que nem o diretor parece saber que tipo de filme está fazendo, o que resulta em “um dos filmes mais desleixados, constrangedores e incoerentes do ano”. A Associated Press deu 1 de 4: para Jake Coyle, é “uma bagunça de filme muito entusiasmada, estranhamente complicada e confusa”, tão mal construída que “faz um jogo de seis botões parecer comparativamente sofisticado”.
No The Guardian, que deu 2 de 5, Radheyan Simonpillai chama o filme de “uma bagunça espalhafatosa e incoerente que diverte aos trancos” e que mal supera os filmes de Mortal Kombat. Segundo ele, as piscadelas para os fãs, como Chun-Li zombando das falas filosóficas de Ken e Ryu, funcionariam melhor “se o filme algum dia se elevasse acima daquilo de que está tirando sarro”. A Variety, por meio de Siddhant Adlakha, gostou do começo, mas afirma que “algo dá terrivelmente errado na segunda metade, sugerindo uma produção conturbada ou uma que já estava condenada desde o início”, com diálogos cada vez mais fragmentados e muitas vezes ditos de costas ou com a boca encoberta. “Seria interessante saber quanto do filme foi reescrito na pós-produção”, escreveu.
O The Hollywood Reporter fala em “uma bagunça tonal que parece mortalmente séria num momento e paródia no outro”, com tantos personagens e elementos dos jogos que quem não conhece a série fica tentando acompanhar. O Film Verdict o compara de forma desfavorável aos filmes de Mortal Kombat e Resident Evil deste ano, e o Slashfilm, apesar de achar o filme “bastante assistível”, diz que o gosto que ele deixa é amargo e seu centro, vazio. Notas intermediárias vieram do Collider (6 de 10), que destaca as lutas e as sequências animadas, e do ScreenCrush (5 de 10), para quem a diversão dura “uns 30 minutos”.
Há quem tenha gostado. A IGN deu 6 de 10, e Tom Jorgensen escreveu que o filme “é mais burro que uma caixa de pedras, mas você já atirou pedras em coisas? Pode ser bem divertido”. O ScreenRant, com 7 de 10, chama o filme de “um dos sacos de gatos mais assumidos do ano”, mas elogia o tom de “tudo ou nada” e as lutas. No IndieWire, Christian Zilko reconhece a trama confusa e as piadas mal construídas, mas diz que o maior pecado de um filme é entediar, e que este nunca chega perto disso. O Inverse o considera o que mais perto chegou de levar a energia da franquia para o cinema.
No The New York Times, Brandon Yu diz que, embora o excesso de lutas possa cansar, o filme soa como “o ápice natural da imaginação de um jogador de fliperama”, e que dá para “ver o garoto dos anos 90 socando e chutando o ar na saída do cinema”. Já William Bibbiani, do TheWrap, abraça o caos. Ele aponta anacronismos como Ryu ouvindo “What’s Up”, do 4 Non Blondes, num walkman em 1987, seis anos antes do lançamento da música, e diz que o filme é “tão alheio à coesão narrativa e estilística que chega a ser espiritual”. “Alguns fãs podem sacar as tochas e os forcados, mas eu, pessoalmente, abraço esse monstro de Frankenstein”, escreveu.