A onda de ports não oficiais chegou a um dos exclusivos mais icônicos do PlayStation, que nunca saiu para PC: Gran Turismo. Um projeto da comunidade chamado RyGT, publicado no GitHub pelo desenvolvedor conhecido como mlgprorektm8, faz Gran Turismo Sport, lançado em 2017 para PS4, rodar como um programa nativo do Windows.
Segundo a página do projeto, não se trata de emulação. A ferramenta converte o executável da versão de PS4 (a edição CUSA03220, com a atualização 1.69) em um programa de Windows, e o código do jogo roda diretamente no processador do PC, enquanto as bibliotecas do RyGT substituem as do sistema do PS4. O RyGT é derivado do Ryty, uma ferramenta geral para portar executáveis de PS4 e PS5 para Windows, macOS e Linux. A parte gráfica, porém, usa um renderizador Vulkan chamado shadGT, baseado no código do emulador shadPS4, que o projeto também credita.
Uma das versões mais recentes adicionou suporte ao frame generation do AMD FSR 3.1, que cria um quadro intermediário entre cada par de quadros do jogo e, segundo o desenvolvedor, funciona em qualquer placa de vídeo. Em um teste, uma corrida a 57 fps passou a exibir 115 quadros por segundo. O recurso tem limitações, porém: como o jogo não fornece vetores de movimento, bordas em movimento rápido e a interface podem apresentar ghosting, uma espécie de rastro na imagem. De acordo com o criador, a experiência é melhor quando o jogo em si roda acima de 40 fps.
O port também ganhou opções para reduzir os engasgos causados pela compilação de shaders. Dá para pré-compilar na tela de abertura todos os shaders já usados antes no PC: a primeira inicialização pode levar alguns minutos, mas as seguintes levam segundos, e em um teste 13.600 pipelines foram montados em cerca de 25 segundos. Também é possível escolher o que acontece quando surge um shader novo: deixar o jogo em câmera lenta até ele ficar pronto, que é a opção padrão, pausar o jogo, inclusive o relógio da corrida, ou seguir jogando com objetos aparecendo atrasados. As compilações rodam nos núcleos de eficiência do processador, para não atrapalhar o jogo.
Pelo status publicado na página, menus, seleção de carros e pistas, corridas, resultados, áudio e controles já funcionam, e as corridas rodam entre 42 e 60 fps, dependendo do número de carros na tela, nas máquinas de teste com Core i7-13700KF e RTX 4070 Ti e com Ryzen 5 9600X e RTX 3060. Os recursos online não são suportados, e os primeiros 30 segundos de uma corrida ainda podem engasgar. As atualizações são frequentes: a versão desta sexta-feira (16) trouxe um novo renderizador experimental, que, no teste mais pesado, com 20 carros e chuva na Tokyo Expressway, sobe o desempenho de cerca de 32 para 43 fps, além de uma opção para desligar os reflexos da pista molhada, que rende cerca de 30% a mais de fps na chuva.
O projeto não inclui arquivos do jogo nem do sistema: para usá-lo, é preciso ter a própria cópia de Gran Turismo Sport extraída de um PS4, além de arquivos do firmware do console. Na página, o autor diz que o RyGT é voltado para interoperabilidade, pesquisa e preservação.
O lançamento entra para a lista de jogos de PlayStation que chegaram ao PC por iniciativa de fãs, enquanto a Sony segue sem levar a série da Polyphony Digital para a Steam ou a Epic Games Store.