A franquia Pokémon nunca teve tantas frentes abertas ao mesmo tempo. Em 2026, ela ocupa console, celular, jogo de cartas digital e até um projeto de RPG de ação que não tem monstrinho nenhum. Quem só acompanha de longe pode achar que ainda é só “o jogo de capturar bichinho”, mas o cenário mudou bastante nos últimos dois anos.
Este guia reúne o que está ativo agora, o que vale o seu tempo e o que esperar dos próximos meses.
O estado atual da franquia
Vale começar pelos números, porque eles explicam a estratégia. Pokémon Legends: Z-A vendeu 5,8 milhões de cópias em Switch e Switch 2 na primeira semana, um resultado forte mesmo ficando abaixo dos 6,5 milhões de Legends: Arceus no mesmo período.
Já Pokémon Pokopia, lançado no Switch 2, virou o caso mais curioso do ano. Foram 2,2 milhões de cópias vendidas no mundo e um impacto direto nas ações da Nintendo na bolsa de Tóquio. Um jogo mais calmo, de construção e vida simulada, entregou o tipo de resultado que normalmente se espera de um título principal da série.
A leitura é simples. A Game Freak e a The Pokémon Company pararam de tratar a franquia como uma única fórmula e passaram a testar gêneros diferentes com a mesma marca.
Pokémon GO segue vivo e mais competitivo
Mesmo com quase dez anos de estrada, Pokémon GO continua sendo o jogo da franquia com maior base ativa diária. Eventos como o Pokémon GO Fest mantêm o calendário cheio, e as reides seguem sendo o principal motivo de as pessoas abrirem o aplicativo todo dia.
O problema continua o mesmo de sempre: o jogo depende do mundo real. Nem todo jogador mora perto de PokéParadas, tem tempo livre de dia ou segurança para caminhar pela cidade. Essa limitação explica por que assuntos como jogar de casa e alternativas de localização aparecem tanto nas buscas em 2026.
Antes de tentar qualquer atalho, vale lembrar que a Niantic aplica banimentos por manipulação de GPS. É um risco real, não teórico.
Beast of Reincarnation: a aposta fora da caixa
O projeto mais diferente é da própria Game Freak. Beast of Reincarnation é um RPG de ação com pegada soulslike, apresentado no Xbox Games Showcase e detalhado depois na Xbox Developer Direct. O jogo troca o mundo colorido de captura por combate técnico, narrativa mais pesada e a relação entre a protagonista e sua companheira animal.
Não é um jogo Pokémon, mas é feito pelo estúdio que sustenta a franquia há quase trinta anos. Para quem acompanha a indústria, é um sinal claro de que o estúdio quer provar que sabe fazer outra coisa.
O TCG virou uma das portas de entrada
O jogo de cartas Pokémon voltou com força graças ao formato digital. O Pokémon TCG Pocket entrega partidas curtas e abertura diária de pacotes no celular, enquanto o Pokémon TCG Live mantém as regras completas para quem leva o competitivo a sério.
O efeito colateral foi grande no mercado físico. Muita gente que começou no aplicativo acabou comprando cartas reais, e aí começa a bagunça: coleção espalhada, compras repetidas e nenhuma noção do valor do que já está guardado em casa.
Quem coleciona há mais tempo resolve isso de um jeito só, que é catalogar antes de comprar mais. Hoje existem aplicativos que escaneiam a carta pela câmera e atualizam o preço médio automaticamente. Um rastreador de cartas útil organiza o inventário, o valor estimado e o histórico de preço no mesmo lugar, o que ajuda a decidir se vale segurar ou vender.
A opinião de quem acompanha o mercado
A diversificação da franquia divide opiniões entre analistas e jogadores antigos.
“O sucesso de Pokopia mostrou que existe um público enorme esperando algo além do RPG tradicional. O risco é a Game Freak dividir tanto a atenção que o jogo principal continue com problemas técnicos que a série arrasta desde a geração passada.”
Do lado dos jogadores competitivos, a crítica é outra. Muitos apontam que o investimento em títulos alternativos não resolveu o desempenho instável dos jogos principais, algo que ficou evidente nas discussões após o lançamento de Legends: Z-A.
Palworld, Pickmon e a disputa dos clones
A briga judicial entre Nintendo e Pocketpair por conta de Palworld continua rendendo. A empresa de Quioto perdeu o primeiro round quando o escritório de patentes japonês rejeitou uma das patentes por falta de caráter inventivo.
Enquanto isso, o mercado só ficou mais confuso. O estúdio chinês PocketGame apresentou Pickmon, um jogo que copia Palworld e Pokémon ao mesmo tempo. O caso mostra que o gênero de captura de criaturas virou território disputado, e não mais propriedade exclusiva de uma marca.
Perguntas frequentes
Qual jogo Pokémon vale mais a pena em 2026?
Para quem tem Switch 2, Legends: Z-A entrega a experiência principal mais completa. Para jogar de graça, Pokémon GO e TCG Pocket são as melhores portas de entrada.
Pokopia é um jogo de capturar Pokémon?
Não. É um jogo focado em construção e simulação de vida, com Pokémon como habitantes do mundo.
Beast of Reincarnation é da mesma série?
Não. É um projeto novo da Game Freak, sem ligação com o universo Pokémon.
Conclusão
A franquia está mais espalhada do que nunca, e isso é bom para o jogador. Dá para jogar de graça no celular, competir no jogo de cartas, encarar um RPG tradicional no Switch 2 ou acompanhar um projeto totalmente diferente do mesmo estúdio.
O ponto de atenção segue sendo a qualidade técnica dos títulos principais. É nesse detalhe que os próximos anúncios vão ser julgados.