O Xbox Game Pass pode estar prestes a passar pela maior mudança desde sua criação. Após as demissões em massa no Xbox anunciadas no começo do mês, analistas e desenvolvedores têm apontado o serviço de assinatura como o principal responsável pela crise da divisão de jogos da Microsoft e também algo prejudicial para a indústria, pois reduziria o valor percebido dos jogos.
Durante uma participação no podcast Triple Click, o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, afirmou que há um forte descontentamento em relação ao Game Pass entre a liderança dos estúdios internos do Xbox e a Microsoft estaria disposta a rever o modelo de negócios do serviço.
Segundo ele, “há muitas pessoas na liderança dos estúdios do Xbox que absolutamente detestam o Game Pass”. Na visão desses desenvolvedores, o serviço teria “destruído o valor” dos próprios jogos ao acostumar os consumidores a acessar lançamentos por meio de uma assinatura, em vez de comprá-los individualmente.
Schreier acrescenta que esse grupo acredita que o Game Pass acabou contribuindo para desvalorizar os jogos de maneira geral, tornando mais difícil justificar produções cada vez mais caras e demoradas.
“Acho que eles vão manter o serviço, mas, em algum momento, vão acabar com a oferta no dia do lançamento, porque isso não faz mais sentido”, comentou Schreier. “Então, Matty, pegando o gancho do que você disse antes: você pega um jogo como South of Midnight — não foi exatamente aclamado pela crítica nem nada do tipo, mas as pessoas que realmente gostaram dele, gostaram de verdade; o jogo falou fundo com elas. E é um jogo que custa US$ 40 para comprar, mas no Game Pass você consegue jogá-lo por… quanto era? US$ 15 ou US$ 20 por mês, ou seja lá qual fosse o valor na época do lançamento. Além de sobrecarregar o produto com uma expectativa difícil de sustentar no contexto de um serviço de assinatura — que visa justamente expandir essa base de assinantes —, isso também resulta em uma desvalorização extrema. O consumidor acaba se perguntando: ‘Por que gastar US$ 40 nisso se posso obtê-lo no Game Pass ‘de graça’ — ou seja, incluído na minha mensalidade?'”
A crítica interna pode acabar influenciando diretamente a estratégia da Microsoft. De acordo com Schreier, sua expectativa é que o Xbox reduza, aos poucos, os lançamentos “day one” no Game Pass, especialmente para os jogos produzidos pelos próprios estúdios da empresa. O primeiro sinal de que esta mudança está em curso foi dado com a remoção dos lançamentos da série Call of Duty do Game Pass no primeiro dia.
O jornalista relaciona essa possibilidade à recente mudança de direção da marca Xbox, que voltou a apostar em exclusividades para fortalecer seus consoles. Se a prioridade voltar a ser vender jogos e incentivar a compra de hardware, disponibilizar todos os grandes lançamentos imediatamente na assinatura deixaria de fazer tanto sentido quanto fazia nos últimos anos.
As declarações também chegam poucos dias depois de a nova liderança do Xbox admitir que algumas das principais apostas da divisão não entregaram o crescimento esperado. Em comunicado interno divulgado durante a reestruturação da empresa, a CEO da divisão Xbox, Asha Sharma, afirmou que investimentos pesados em Game Pass, lançamentos multiplataforma e expansão do portfólio criaram valor, mas cresceram em um ritmo muito inferior ao planejado, enfraquecendo o negócio principal da marca.