Por mais de uma década, jogar no navegador não exigia baixar nada. O Flash Player da Adobe rodava o jogo dentro da própria página e sustentava portais inteiros de jogos gratuitos. Mas, em 31 de dezembro de 2020, a Adobe desligou o Flash Player.
Nos portais, o jogo era um arquivo que só o plugin abria
Kongregate e Armor Games serviam a partida diretamente pelo navegador, sem que o jogador precisasse instalar o jogo no computador. O arquivo ficava hospedado no próprio portal e era interpretado pelo Flash Player, responsável por exibir animações, responder aos comandos e manter a partida funcionando dentro da página.
Alguns títulos conseguiram sair desse ambiente. Kingdom Rush, por exemplo, estreou no Kongregate em 28 de julho de 2011 e depois ganhou versões para celular e console. Mas boa parte do catálogo permaneceu dependente daquele formato. Quando o suporte ao Flash terminou, esses jogos continuavam existindo nos servidores, mas os navegadores já não tinham o componente necessário para executá-los.
O acervo antigo ficou no Internet Archive, mas o formato seguiu sem ele
Mas seis semanas antes do suporte acabar, um emulador de Flash foi lançado. O Ruffle é de código aberto, roda em qualquer navegador com WebAssembly e dispensa instalação, e o Internet Archive, maior projeto de conservação da internet, passou a usá-lo para emular jogos em Flash, com mais de mil itens carregados já no lançamento.
O acervo resolve o problema do que foi feito em Flash. Só que grande parte do que se joga no navegador hoje nunca foi feita em Flash, e por isso nunca precisou de emulador para abrir. São jogos escritos na linguagem que o próprio navegador entende, o que faz a página montar a partida sozinha.
O 2048, que o italiano Gabriele Cirulli publicou em março de 2014, funciona assim: a grade de quatro por quatro aparece inteira no instante em que o site carrega. Outros exemplos recentes são os jogos como Mines, que também abrem direto na página e apresentam um tabuleiro de quadrados cujo conteúdo é revelado conforme cada casa é selecionada. Nos dois casos, a interação acontece dentro da própria página, sem que o navegador precise recorrer a um plugin separado para interpretar o jogo.
Wordle foi vendido ao New York Times por mais de um milhão de dólares
Com o navegador capaz de executar esses jogos sem depender de um plugin separado, a questão passou a ser outra: como fazer com que eles chegassem ao público. No caso do Wordle, foram os próprios jogadores que ajudaram a resolver esse problema. Josh Wardle liberou o jogo ao público em outubro de 2021. No dia 1º de novembro daquele ano, ele tinha 90 usuários e, em meados do mesmo mês, já chegava a 300 mil.
O que circulou nas redes foi a grade de quadradinhos coloridos que cada jogador postou ao terminar a rodada. Isso acabou atraindo o New York Times, que comprou o jogo em 31 de janeiro de 2022, por um valor que a imprensa situou na casa dos sete dígitos.
Mas é a plataforma itch.io que vem mudando o cenário dos jogos de navegador. Lançada pela Leaf Corcoran em março de 2013, passou de um milhão de produtos publicados em novembro de 2024, dos quais mais de 700 mil desses produtos são jogos que abrem diretamente no navegador. Isso faz do navegador uma escolha relevante para quem quer jogar ou publicar um jogo atualmente.