A Nintendo publicou nesta terça-feira (3) a terceira e a quarta partes da entrevista Ask the Developer sobre o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, exclusivo do Switch 2, que sai nesta quinta-feira (5). As duas primeiras partes trataram da direção do projeto e do visual inspirado em teatro de bonecos.
Segundo o diretor de programação Hiroki Taguchi, o jogo foi refeito do zero, sem aproveitar o código do original, e a equipe comparou cada recurso implementado com a versão de Nintendo 64. Uma das mudanças é o fim do pulo automático: agora Link pode pular em qualquer lugar com um botão, como nos jogos mais recentes da série. O diretor HokWai Ng explicou que jogadores acostumados aos Zelda atuais poderiam estranhar não conseguir pular em certos pontos. Eiji Aonuma lembrou que o pulo automático era conveniente para o desenvolvimento, e a diretora de arte Aya Shida contou que foi preciso ajustar a distância dos vãos, já que Link adulto e Link criança pulam distâncias diferentes.
O Jump Attack passou a usar o esquema de Breath of the Wild, com o botão de pulo seguido do de ataque. Aonuma disse que não se acostumou e reclamou que o golpe não era tão satisfatório quanto o original. Por isso, a equipe manteve também a versão com um só botão. Já a cambalhota continua disponível para atravessar o Campo de Hyrule, e segurar o botão faz Link correr.
Aonuma também resolveu o que chamou de “lição de casa atrasada”: o Templo da Água, que ele criou há 28 anos e ficou famoso pela dificuldade. Agora é mais fácil trocar de itens, e algumas paredes que faziam o jogador perder o senso de direção viraram estruturas vazadas, que deixam ver as salas ao lado. Nos chefes, Gohma passou a proteger o ponto fraco com os braços enquanto está imune a ataques, para deixar mais claro o momento certo de atacar.
A novidade Threads of Time, segundo Ng, combina um recurso de apoio à aventura com uma forma de acompanhar a história como um livro ilustrado: ilustrações e textos são desbloqueados ao longo do jogo e formam uma tapeçaria. A ideia, disse o diretor, é que pais que jogaram o original possam conversar sobre a história com os filhos.
Na quarta parte, Masato Ohashi, um dos diretores de som, contou que o jogo tem mais de 150 músicas, gravadas com orquestra completa, mas com arranjos mais simples em temas menores, como os de dentro das casas. Algumas faixas misturam a orquestra com sons recriados a partir do chip de áudio do Nintendo 64, como a música da casa de Link. O jogo tem som surround 5.1, e a ocarina foi gravada com um instrumento real.
Por sugestão de Aonuma, também será possível tocar a ocarina pelo microfone do Switch 2, cantarolando as músicas ou usando uma ocarina de verdade. As cenas agora são totalmente dubladas, e as audições no Japão foram feitas às cegas, sem os nomes dos atores. Um dos escolhidos tinha dublado o mesmo personagem na versão de Nintendo 64. O remake também é compatível com o aplicativo Zelda Notes, com funções próprias, como um modo para tocar a ocarina.
Ocarina of Time já teve revelados um salão de revanche contra chefes e o Dark Link, e o jogo é mais de 800 vezes maior que o cartucho original.