A taiwanesa Macronix, apontada como a principal fornecedora dos chips de memória dos cartões de jogo do Switch, está deixando gradualmente o mercado de memória ROM. A informação foi dada pelo presidente do conselho da empresa, Miin Wu, na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, em 27 de outubro, e publicada no dia seguinte pelo site taiwanês de notícias financeiras MoneyDJ.
Segundo a reportagem, a Macronix vai direcionar sua capacidade de produção limitada e seus recursos de pesquisa e desenvolvimento para as memórias NOR e eMMC, com foco em aplicações médicas, automação industrial, automóveis e comunicação espacial. Wu afirmou que as versões atuais dos produtos ROM da empresa já duram cerca de sete a oito anos e que, a partir da próxima apresentação de resultados, a Macronix deixará de mostrar a linha de ROM separadamente e que a alocação de recursos também não terá mais a ROM como foco.
Os números mostram a perda de peso do segmento. Na apresentação aos investidores, a ROM aparece com 5% da receita da Macronix no terceiro trimestre de 2026, contra 6% no trimestre anterior e 26% um ano antes. A receita com esses chips subiu 9% em relação ao segundo trimestre, o que indica que a empresa ainda faz entregas, mas caiu 39% na comparação anual. No mesmo período, a Macronix teve receita recorde de NT$ 24,2 bilhões, alta de 195% em um ano, puxada pelas memórias NAND, que pela primeira vez superaram as NOR como principal linha de produtos.
A empresa explicou que hoje não consegue atender plenamente a todos os clientes e que a distribuição do que produz leva em conta a aplicação e o valor de cada cliente para seu desenvolvimento de longo prazo. Como o ciclo de produção de semicondutores leva de cinco a seis meses, disse a Macronix, essas decisões precisam ser planejadas com antecedência e não podem ser alteradas com frequência.
A Macronix não citou a Nintendo. A ligação com o Switch foi apontada pelo analista David Gibson, que escreveu no X na terça-feira (3) que a empresa fabrica os chips ROM dos cartões de jogo do Switch e do Switch 2 e é a principal fornecedora de chips de memória da Nintendo. Segundo ele, a Macronix não terá novos produtos ROM.
Para Gibson, a decisão não deve acabar com os cartões físicos tão cedo. “A Macronix não é a única fabricante de cartões de jogo da Nintendo, então os cartões físicos provavelmente vão continuar por algum tempo”, avaliou. “Mas, na margem, o digital vai crescer, com mais Game-Key Cards, que trazem uma chave de download e não o jogo, e mais vendas apenas digitais.”