O CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, voltou a defender que Grand Theft Auto é uma obra artesanal e disse que a rejeição do público à inteligência artificial tem um alvo mais específico do que parece. Em entrevista ao programa The Long Play, da Business Insider, conduzida pela jornalista Sarah E. Needleman, o executivo afirmou saber que os consumidores dizem não querer IA, mas que, para ele, o que as pessoas querem dizer é que não querem “AI slop”, o conteúdo de baixa qualidade gerado por essas ferramentas. “Não queremos coisas de aparência ruim, obviamente, e nós também não”, disse.
Zelnick lembrou que a empresa foi construída sobre tecnologia e que o que se chama de IA e aprendizado de máquina faz parte do vocabulário da indústria de games “desde o início dos tempos”. “Estamos totalmente dentro”, declarou. Ele também ironizou o debate: “nós usamos computadores para fazer nossos jogos. Espero que isso não seja uma grande surpresa”.
Na sequência, o CEO tratou GTA como um caso à parte. “A equipe da Rockstar deixou muito claro que Grand Theft Auto é feito à mão, e é mesmo. É arte sob medida, feita à mão. Isso é verdade, e acho que sempre será para a nossa empresa, porque, para fazer o melhor entretenimento do planeta, também precisamos fazer grande arte”, afirmou. Zelnick distinguiu a criação de ativos da criação de arte: boa parte da publicidade em torno da IA gira em torno da primeira, e produzir um ativo de forma eficiente ou bonita, segundo ele, “ainda é diferente de criar arte”. Ele disse não ter dúvida de que a tecnologia pode tornar a empresa mais eficiente e eficaz, mas ressaltou que ela “não vai tornar mais fácil criar sucessos”.
As falas indicam que a Take-Two enxerga a IA como ferramenta de apoio e ganho de eficiência, não como substituta do trabalho criativo. O tema já havia surgido antes, quando a Rockstar afirmou que GTA VI não terá microtransações nem uso de IA no lançamento.
Em 4 de novembro, durante entrevista no palco do evento WSJ Tech, na Califórnia, Zelnick repetiu a linha de que GTA é feito à mão e descreveu “IA” como um termo ambíguo. Disse também que a empresa busca fazer jogos melhores de forma mais eficiente. Nessa conversa, ele ainda falou sobre os adiamentos do jogo, que chegou a ser empurrado para o fim de 2026. O executivo afirmou não se arrepender da decisão, que classificou como algo indispensável (“must have”), e não apenas desejável (“nice to have”). Reconheceu que o momento da escolha foi incômodo e que o processo foi caro e demorado, mas defendeu que a missão de fazer o melhor entretenimento do mundo às vezes exige decisões de cronograma custosas e inconvenientes. Não houve menção a valores de orçamento.
Zelnick também alertou para os riscos de lançar um produto inacabado apenas para cumprir um prazo. Segundo ele, houve nos últimos anos um lançamento de grande visibilidade que precisou ser retirado do mercado depois de chegar às lojas, porque “não funcionava”. O CEO deixou claro que não citaria concorrentes e não revelou qual título tinha em mente. Disse ainda que já negou tempo extra a outros projetos não identificados da Take-Two quando considerou que o momento de lançar era o certo.
GTA 6 chega em 19 de novembro de 2026 para PlayStation 5 e Xbox Series X|S.