O Bluepoint Games queria produzir um remake de Bloodborne e recebeu o sinal verde da Sony, mas a ideia não se materializou por conta de uma objeção da FromSoftware. A informação foi revelada agora pelo jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, e ajuda a esclarecer como decisões estratégicas e impasses criativos contribuíram para o desfecho do estúdio.
De acordo com a reportagem, após o cancelamento de um projeto multiplayer ambientado no universo de God of War, a Bluepoint passou boa parte de 2025 buscando definir sua próxima grande produção. O estúdio, conhecido por remakes tecnicamente ambiciosos, teria apresentado à Sony a proposta de recriar Bloodborne, título originalmente desenvolvido pela FromSoftware e lançado em 2015 como exclusivo de PlayStation 4.
Segundo Schreier, fontes familiarizadas com as discussões afirmaram que a ideia chegou a ser considerada internamente e fazia sentido sob o ponto de vista comercial, dada a adoração dos fãs ao jogo e a demanda recorrente por uma nova versão adaptada ao hardware mais recente, uma vez que o original segue preso ao PS4 e às animações a 30 quadros por segundo. No entanto, o projeto não avançou porque a FromSoftware se opôs à ideia.
Ainda que a propriedade intelectual pertença à Sony Interactive Entertainment, a desenvolvedora japonesa hoje detém um status maior e, aparentemente, tem poder suficiente para influenciar a dona do PlayStation, lembrando que esta inclusive se tornou uma acionista relevante do estúdio através de seus investimentos em sua controladora, a Kadokawa.
Uma pista dos motivos do veto da FromSoftware — e algo que dá esperança aos fãs de Bloodborne — foi dada pelo ex-executivo do PlayStation, Shuhei Yoshida, que comentou em entrevista no ano passado que acreditava no desejo da própria FromSoftware de fazer um remake do clássico. Segundo ele, o presidente da FromSoftware, Hidetaka Miyazaki, estava interessado em refazer o jogo, mas estava muito ocupado para isso e “não queria que ninguém mais mexesse nele”. Como um bom japonês, ele entendeu que a Sony respeitaria a vontade de Miyazaki, apesar de ser dona da franquia.
Com Bloodborne vetado, o estúdio chegou a apresentar a ideia de uma versão atualizada de Shadow of the Colossus, um jogo que eles próprios já haviam refeito no PlayStation 4, mas a Sony também negou esta.
O veto teria deixado a Bluepoint novamente sem um projeto definido em um momento delicado. O estúdio já vinha de um período de transição após o lançamento do remake de Demon’s Souls no PlayStation 5 e buscava consolidar uma nova fase com produções próprias de maior escala. O cancelamento do multiplayer de God of War, somado à rejeição da proposta envolvendo Bloodborne, limitou as alternativas viáveis em curto prazo.
Sobre o projeto de God of War inicialmente encomendado à Bluepoint, o jornalista revela que o conceito do jogo envolveria uma jornada do personagem Atreus pelo inferno grego, com os jogadores assumindo versões do personagem em uma jogabilidade cooperativa, com suporte contínuo, embora grande parte do design do jogo estivesse em constante mudança. Jogos como serviço se tornaram uma obsessão da Sony na época, mas o projeto parecia complexo demais para uma equipe pequena e com experiência principalmente em arte e engenharia, não em design.
“Desenvolver um jogo que prenda os jogadores por muito tempo é um desafio que até mesmo os estúdios mais experientes têm dificuldade em superar. Alguns funcionários da Bluepoint reclamavam que deveriam estar trabalhando em outro jogo de ação tradicional, como Demon’s Souls ou God of War Ragnarok, em vez de um projeto como serviço que poucos deles pareciam querer fazer”, escreveu Schreier.
A reportagem aponta que, sem um projeto aprovado e diante de uma revisão mais ampla das operações internas da PlayStation Studios, a situação da Bluepoint tornou-se cada vez mais insustentável. Os remakes da trilogia inicial da série God of War anunciados pela Sony recentemente, sem o envolvimento da Bluepoint, já deixou os funcionários do estúdio sob expectativa e o anúncio do fechamento do estúdio acabou vindo uma semana depois.