Uma semana após a Epic Games apresentar o Unreal Engine 6 com foco em criação auxiliada por inteligência artificial, um dos desenvolvedores mais hábeis da ferramenta anunciou que está deixando seu cargo na Epic Games, sob a justificativa de que uma era “chegou ao fim”.
Sjoerd De Jong começou a desenvolver mapas com o Unreal Engine original em 1999, aos 15 anos, e se destacou na comunidade Unreal por seus mapas e mods para Unreal Tournament. Seu talento chamou a atenção da Epic Games, que inicialmente o contratou como freelancer e anos mais tarde lhe ofereceu o cargo de evangelizador do Unreal Engine com desenvolvedores.
Entre passagens por diversos estúdios, incluindo Guerrilla Games e Starbreeze, além de seu próprio estúdio, o Teotl Studios (criador de The Solus Project e Unmechanical), De Jong construi sua carreira como expert no Unreal Engine e em 2014 assumiu o posto de “evangelista líder”, cuja função era visitar estúdios, conferências e instituições de ensino para apresentar o Unreal Engine 4 aos desenvolvedores. No começo de 2026, ele assumiu o cargo de diretor sênior de produto para “um novo projeto ainda não anunciado”.
Em uma publicação no LinkedIn, De Jong anunciou que deixou a Epic Games na semana passada e insinuou que seu trabalho perdeu relevância após a introdução da IA no desenvolvimento, algo que será reforçado pelo Unreal Engine 6 apresentado na semana passada.
“Após 27 anos com a Unreal Engine e 12 anos na Epic Games e com a Unreal Engine, decidi seguir em frente”, escreveu De Jong. “A semana passada foi minha última semana na Epic. Esta foi uma jornada incrível que realmente mudou minha vida de muitas maneiras. Não tive uma infância ou juventude fácil e as coisas não estavam indo a lugar nenhum, mas tudo isso mudou completamente quando descobri a Unreal Engine. A Unreal Engine 1/2/3 me colocou em uma trajetória de vida muito interessante, que, por sua vez, teve um impacto profundo em mim como pessoa, no meu crescimento pessoal e nas oportunidades que se abriram”.
“E então a Unreal Engine 4 e 5 fizeram tudo de novo. Ter vivenciado toda a era da Unreal Engine 4 e depois a era da Unreal Engine 5 enquanto trabalhava na Epic me proporcionou uma visão extremamente ampla e profunda da indústria e do mundo. Visitei dezenas de países, centenas de estúdios, assisti a centenas de palestras, conheci dezenas de milhares de pessoas e apoiei milhões de desenvolvedores todos os anos. Vi tanta coisa ao longo dos anos, mas o que mais ficará comigo é a comunidade e todos que estão criando coisas incríveis, e toda a energia e paixão que isso acarreta. No fim das contas, é disso que se trata: criar, se divertir fazendo isso e ajudar uns aos outros”.
“Dito isso, sinto que esta era chegou ao fim e é hora de seguir em frente. A indústria está em um momento muito interessante. A indústria de jogos sempre foi um setor onde a mudança é implacável e inevitável, mas parece que estamos chegando a um ponto crucial agora, com uma combinação poderosa de fatores. Por mais que eu ame a antiga forma de trabalhar, acho que seria estratégico aceitar para onde estamos caminhando e descobrir como nos adaptar e nos destacar na resolução dos desafios e oportunidades que enfrentamos. Vamos ver onde isso nos leva”.
Embora não tenha falado claramente sobre a IA sendo a mudança que representa o fim de uma era, a saída de De Jong coincide com a apresentação do Unreal Engine 6 e seu grande foco na integração com modelos de IA como o Claude e o Gemini. Na demonstração da ferramenta, a Epic destacou como os modelos de IA podem ser usados para gerar conteúdo, e exemplificou isso com prompts do Claude servindo para mobiliar um apartamento virtual, alterando a iluminação de um cenário e montando uma cena a partir de uma imagem estática.
Segundo a Epic, a IA será um “multiplicador de criatividade e produtividade” no Unreal Engine 6 e permitirá que as equipes “concentrem seus esforços nas tarefas criativas e técnicas essenciais do desenvolvimento, em vez de gastar tempo em tarefas manuais demoradas”.