Enquanto a Sony segue irredutível em seu plano de encerrar a fabricação de discos do PlayStation a partir de janeiro de 2028, a Microsoft ainda não deu um sinal claro de que abandonará a mídia física com o próximo console Xbox, batizado internamente de Project Helix.
Um novo rumor, revelado por John Linneman, da Digital Foundry, durante o podcast DF Direct Q+A, sugere que a empresa cogitava manter o suporte a discos físicos no hardware de próxima geração, não por apego às vendas de mídia física, mas por uma razão bem mais prática: garantir que toda a biblioteca de jogos em disco dos usuários continuasse jogável nos consoles futuros. Segundo Linneman, a ideia até incluiria uma unidade externa ou algum mecanismo alternativo de leitura, algo que se conectaria diretamente à nova iniciativa de conversão de discos em licenças digitais que a Xbox está prestes a lançar.
Vale ressaltar que esse posicionamento seria anterior à reestruturação promovida pela nova CEO da Xbox, Asha Sharma, e não há garantia de que a diretriz ainda esteja de pé. Do ponto de vista puramente financeiro, abandonar os discos por completo — como a própria Sony decidiu fazer mesmo após toda a reação negativa dos jogadores — seria a decisão mais sensata, especialmente considerando que Sharma recebeu de Satya Nadella, CEO da Microsoft, a missão clara de fazer a divisão Xbox voltar a crescer já no próximo ano fiscal. Ainda assim, manter o suporte a discos seria uma forma rápida e relativamente barata de conquistar a simpatia de jogadores mais tradicionais, justamente em um momento em que boa parte da base insatisfeita com o PlayStation busca alternativas.
É nesse contexto que ganha força um vazamento envolvendo o programa Disco para Digital (Disc to Digital) da Xbox. De acordo com um suposto e-mail interno divulgado pelo modder e desenvolvedor RetroGamer_74, o sistema deve estrear oficialmente em agosto de 2026. A mecânica seria simples: o jogador insere o disco físico no console, e uma licença digital passa a ser vinculada a ele. O e-mail vazado não detalha como a plataforma evita que a mesma licença seja reaproveitada caso o disco troque de mãos, mas indica que esse problema já teria sido endereçado internamente, provavelmente por meio de um vínculo direto entre a licença e a mídia física, dificultando a duplicação. Esse programa não é exatamente uma novidade: relatos anteriores já haviam mencionado uma iniciativa semelhante, então batizada de Positron, e mais recentemente detalhada pelo jornalista Jez Corden, da Windows Central, que afirma ter ouvido de múltiplas fontes que a revelação oficial deve acontecer ainda neste mês, à medida que a Microsoft acerta os últimos detalhes com as editoras.
Segundo Corden, o Positron funcionaria de forma vinculada ao já existente Xbox Play Anywhere: qualquer jogo em disco da geração Xbox Series X|S que suporte o recurso passaria a liberar automaticamente também a versão para PC assim que convertido, bastando ao jogador associar o disco à sua conta da Microsoft. Como cerca de metade dos lançamentos atuais já oferece suporte ao Play Anywhere, o impacto prático tende a ser considerável, ainda que o sistema não deva cobrir a totalidade dos títulos de Xbox 360, Xbox One e Xbox Series X|S, já que a adesão dependerá de acordos de licenciamento com cada publisher.
O mesmo e-mail vazado citado por RetroGamer_74 também detalha a expansão do programa de retrocompatibilidade da Xbox para o PC, parte central da estratégia do Project Helix. De acordo com o texto, os jogos antigos rodarão por meio de um emulador, mas com aparência e comportamento de um jogo nativo de PC, sem exigir portes específicos por parte dos desenvolvedores. Cada título, no entanto, precisará ser certificado individualmente, e a Xbox deixa claro que não publicará nada de forma unilateral: cabe aos detentores dos direitos autorizar a disponibilização de seus jogos dentro do emulador. O recurso já entrou em fase de acesso antecipado no mês passado, trazendo clássicos como Conker’s Bad Fur Day, Blinx: The Time Sweeper, Fusion Frenzy e Crimson Skies, com lançamento completo previsto para outubro de 2026 e expansão gradual nos anos seguintes, incluindo eventualmente jogos de Xbox 360.
Tudo isso se encaixa na estratégia de aproximação com o PC que a Microsoft vem construindo, sem que isso signifique abandonar o Steam, como chegou a especular parte da imprensa após comentários de Corden em seu podcast. A ideia parece ser antes somar forças: o aplicativo Xbox PC segue recebendo investimento pesado, incluindo o novo Xbox Mode para portáteis e PCs com Windows 11, enquanto a Microsoft avalia abrir o Battle.net para desenvolvedores terceiros e trabalha com editoras como Ubisoft e EA para integrar lojas próprias ao ecossistema Xbox. Ironicamente, é a Microsoft — empresa que tentou, e fracassou, empurrar um futuro totalmente digital com o lançamento do Xbox One — quem hoje aparenta liderar a bandeira da preservação de jogos, justamente no momento em que a aposta da Sony em um futuro sem discos físicos preocupa jogadores e parte da indústria.