As primeiras avaliações de The Legend of Zelda: Ocarina of Time Remake foram publicadas em sites e revistas nesta quarta-feira (4), um dia antes do lançamento do jogo, que será o principal exclusivo do Nintendo Switch 2 este ano.
A revista japonesa Famitsu foi a primeira a se manifestar e deu ao jogo 37 pontos de 40, com notas 9, 9, 9 e 10 de seus quatro críticos. A avaliação está na edição nº 1970 da Weekly Famitsu, que chega às bancas japonesas na quinta-feira e também traz uma reportagem especial sobre o lançamento.
Curiosamente, a nota coloca o remake abaixo do original de Nintendo 64, que em 1998 se tornou o primeiro jogo da história da Famitsu a receber a nota máxima, 40/40. Já a comparação com Ocarina of Time 3D, lançado para o Nintendo 3DS em 2011, é de empate: a versão portátil também levou 37, com a mesma combinação de 9, 9, 9 e 10. Mesmo assim, o Zelda foi o jogo mais bem avaliado da semana na revista, à frente de Call of Duty: Modern Warfare 4, que recebeu 36 (quatro notas 9).
Segundo os comentários da análise, os críticos elogiaram o controle de câmera, mais confortável, a nova disposição dos botões e a resposta dos comandos, além do nível de detalhe dos gráficos. Os pontos perdidos vieram principalmente da avaliação de que o jogo é mais simples do que muitos títulos atuais e de que há momentos em que o jogador pode ficar sem saber o que fazer.
A britânica Eurogamer também publicou sua análise, com nota máxima, cinco estrelas. O autor, Christian Donlan, chama o remake de “impressionante” e diz que, quase 30 anos depois, Ocarina of Time ainda é “uma aventura tão surpreendente, tão satisfatória, tão comovente” que dá vontade de contar para alguém. “É o Ocarina de sempre, atemporal e intrincado, mas também tem uma vivacidade e uma clareza que fazem parecer que foi criado na quarta-feira passada”, escreve.
Donlan destaca que a estrutura do jogo continua a mesma do original, com o mundo ainda dividido em áreas separadas, mas que a câmera fixa deu lugar a um sistema moderno, com movimento em um analógico e câmera no outro. Ele elogia pequenas mudanças que, segundo ele, fazem o jogo “correr num ritmo impressionante”, como o botão de pulo, o menu rápido de itens no gatilho, herdado da versão de 3DS, e a troca de botas e de itens de cabeça pelos botões direcionais. Com isso, o temido Templo da Água deixou de exigir idas ao menu a cada poucos passos para colocar ou tirar as botas de ferro, o que, para o crítico, deu à masmorra “o ritmo perfeito”. Ele também nota que Navi e a coruja interrompem menos o jogador.
O visual é o ponto em que o crítico vê mais concessões. Ele considera algumas áreas “realmente maravilhosas”, como o caminho para o Domínio Zora e os templos da Água e da Floresta, mas conta que a esposa, fã do jogo de 1998, muitas vezes achou o visual do original mais marcante, e admite que a luta contra Dark Link perdeu um pouco de sua estranheza. Na reta final, no território Gerudo, ele afirma que o jogador pode achar que entrou em “um de uma dúzia de jogos em terceira pessoa feitos em Unreal” que estão em desenvolvimento hoje: “É agradável de ver, mas às vezes não parece mais especificamente com Zelda”.
No site IGN, The Legend of Zelda: Ocarina of Time Remake também mereceu a nota 9 e muitos elogios, ainda que o avaliador tenha reclamado do excesso de concessões feitas aos jogadores casuais. O avaliador reclamou que alguns “puzzles” do jogo original se tornaram óbvios demais e perdeu-se um pouco da sensação de descoberta e mistério que era tão marcante nos Zeldas daquela época.
“Compreendo a decisão de aproveitar a oportunidade para amenizar pontos problemáticos que, há quase 30 anos, travam o progresso dos jogadores”, escreveu o autor da análise. “Contudo, este remake acaba exagerando na correção: algumas salas, que antes apresentavam soluções propositalmente obscuras, agora trazem alternativas extremamente óbvias. Em certos casos, há até elementos visuais que funcionam como “corrimãos”, garantindo que você não deixe passar a única resposta possível que está bem diante de seus olhos. Quebra-cabeças que exigem um item específico são, muitas vezes, sinalizados de forma excessiva. Por exemplo, embora o gancho (hookshot) possa se fixar em diversas superfícies, vários locais onde, antigamente, você precisava deduzir o uso dessa ferramenta foram substituídos por alvos inconfundíveis para o gancho. Isso elimina parte do raciocínio necessário: basta reconhecer o símbolo e equipar o item correto. Embora esse tipo de mecânica sempre tenha feito parte da série Zelda, aqui ela aparece de forma exagerada”.
“O Templo da Água — sem dúvida a masmorra mais notória do jogo original — conta com um número menor de chaves pequenas”, explica o avaliador. “Uma sala que continha uma chave e que era fácil de deixar passar despercebida, agora tornou-se um elemento voltado apenas para quem busca completar 100% do jogo; isso remove um momento importante de descoberta da jornada principal. Não é que todas as salas tenham passado por esse tipo de alteração, mas a frequência com que isso ocorre cria uma tendência perceptível. O resultado é que aqueles grandes momentos de “eureka!” — típicos de Zelda, que surgem quando finalmente superamos um desafio — tornam-se menos frequentes e, consequentemente, menos especiais”.
Na Forbes, o avaliador Ollie Barder deu a nota 9/10 e classificou o jogo como uma das produções graficamente mais impressionantes dos últimos anos, destacando a iluminação, os efeitos de fumaça e um Hyrule de aparência quase primitiva, com terreno irregular e charme rústico. O crítico, que admite nunca ter compartilhado o fervor geral pelo original de 1998, também elogia a câmera livre, o botão de pulo e a corrida mais rápida, que tornam a experiência mais contemporânea sem mexer na estrutura clássica de level design. Sua principal queixa recai sobre o design dos personagens, que ele considera estranho e grotesco, com roupas exageradas para Link e uma estilização que destoa do realismo do cenário. Ele ainda assim vê o remake como uma forma de apresentar um marco da série a uma nova geração e admite que o jogo pode entrar em seu top cinco da franquia.
O crítico do TheSixthAxis também deu nota 9 e chamou o remake de uma forma gloriosa de reviver a aventura. Para o site, a transformação visual é inescapável, com locais como a Vila Kokiri e Kakariko ganhando layouts mais naturais e detalhados, embora o uso de FSR 1.0 e SMAA cause cintilação perceptível em elementos distantes. A análise compara a mudança estética a uma adaptação hollywoodiana de um livro querido, comentando que o Link jovem tem uma aparência meio inquietante e que as vozes americanas nas cutscenes destoam do clima de fantasia. Do lado do jogo em si, o crítico celebra os controles modernizados e a possibilidade de assobiar ou cantarolar as melodias da ocarina. Também elogia a reformulação do Templo da Água, que agora se mostra tão fluido quanto os demais templos. O veredicto é que a Nintendo encontrou um bom equilíbrio entre preservar a essência do clássico e incorporar conveniências atuais, e que o estranhamento com a nova direção de arte tende a passar, como já ocorreu em outros títulos da série.
Às vésperas do lançamento, a Nintendo publicou a entrevista Ask the Developer com a equipe do remake, que falou sobre o corte dos pontos de teleporte e sobre o Templo da Água revisto e as mais de 150 músicas. No fim de semana, um usuário do Reddit disse já estar jogando o remake com uma cópia física comprada antes da data.