Tim Sweeney, CEO da Epic Games, voltou a criticar a Valve. Em publicação no X, ele afirmou: “A Valve atrasou os games por anos ao prender os jogos de PC dos desenvolvedores no jardim murado social do Steamworks, onde os jogadores não conseguem conversar com jogadores de iOS, Android, Xbox, PlayStation, Switch ou até de outras lojas de PC”.
O comentário foi uma resposta a uma discussão iniciada na segunda-feira (26) por Kiaran Ritchie, ex-programador de animação da própria Epic, que criticou a taxa de 30% cobrada pela Steam sobre as vendas. “É muito triste que a indústria de games seja drenada por uma taxa de 30% sobre a receita bruta. Dá para criar uma alternativa à Steam com vibe coding em uma semana. O tráfego de saída da Cloudflare é praticamente de graça”, escreveu Ritchie. “A indústria precisa desesperadamente de uma plataforma de distribuição que permita que os desenvolvedores fiquem com sua receita.”
Ritchie também argumentou que o aplicativo da Steam é o de menos e que o verdadeiro trunfo da Valve são seus usuários e a resistência deles em abandonar suas bibliotecas de jogos. “Felizmente para a Valve, o aplicativo tem pouco a ver com seu sucesso contínuo”, escreveu em uma das respostas. Vários usuários contestaram, citando os recursos e serviços oferecidos pela loja e o fato de a Epic Games Store ainda não ter conseguido competir com a Steam.
A publicação de Sweeney recebeu uma nota da comunidade do X, que ele classificou como falsa: “O Steam Datagram Relay não tem relação com as coisas que citei: recursos sociais e jogadores conversando entre plataformas”. Um usuário respondeu que joga com usuários de Xbox em jogos lançados na Steam. Sweeney então explicou que isso acontece porque o desenvolvedor fez o trabalho por conta própria ou usou serviços como o Epic Online Services. “Se usaram os amigos e o social do Steamworks, ficaram presos não apenas aos jogadores de PC, mas à Steam.”
A discussão levou à pergunta de se alguém pode tirar a Steam da liderança. Em entrevista ao site GamesRadar+, Emmanuel Rosier, diretor de inteligência de mercado da consultoria Newzoo, disse que “a Steam é difícil de evitar neste momento”. Ele descreveu o mercado como um pêndulo: “Há 10 ou 20 anos, as grandes editoras decidiram ter suas próprias plataformas de distribuição no PC, e depois quase todas voltaram para a Steam. Não vejo, agora, as grandes editoras dizendo ‘vamos sair da Steam e ficar só com a nossa plataforma'”.
Para Rosier, a força da loja está no efeito de rede. “Você tem seus amigos lá, toda a sua biblioteca está lá, e é difícil chegar e dizer ‘agora comece a comprar meu jogo em outra plataforma'”, disse. “Qualquer concorrente da Steam precisa oferecer algo que torne a experiência melhor que a da Steam. Caso contrário, é muito difícil fazer o jogador migrar.”
O analista também apontou o fato de a Valve ser uma empresa de capital fechado como vantagem. “Enquanto a Valve for independente e não for uma empresa de capital aberto, provavelmente terá certa ambição, mas não uma ambição extraordinária. Então acho que ela ainda pode tomar decisões que priorizam o jogador, e isso ajuda a conquistar a boa vontade dos jogadores”, afirmou. Questionado sobre o argumento de Ritchie, de que a Steam está tão consolidada que é praticamente impossível a Valve perder a liderança sem antes cometer um erro grave, Rosier concordou: “Parece uma boa perspectiva”. Ele citou ainda o Project Helix, próximo console da Microsoft, que roda jogos de PC, como uma incógnita, já que ainda não está claro se ele vai permitir o uso da Steam.
Sweeney vem criticando a Valve com frequência. Recentemente, ele atacou o aviso de uso de IA da Steam, e a Valve admitiu ter um problema com jogos de baixa qualidade feitos com IA, mas disse que não vai vetar as ferramentas.