A discussão sobre o uso de inteligência artificial nos jogos ganhou mais um capítulo nesta semana, e desta vez com dois alvos bem diferentes: a Valve, por exigir transparência sobre o uso de IA na Steam, e a SEGA, que vem sendo criticada por incluir um pedido de consentimento para treinar modelos de genAI em uma ação promocional de Sonic.
Do lado da Valve, o debate começou após comentários de Tim Sweeney, CEO da Epic Games, que classificou como “irresponsável” a exigência da Steam para que desenvolvedores informem quando um jogo utiliza IA generativa. Segundo ele, esse tipo de aviso não faz sentido em um momento em que a tecnologia já está presente em praticamente todas as etapas da produção moderna, de arte conceitual e animação até programação, dublagem e suporte criativo. Para Sweeney, destacar o uso de IA em páginas de jogos seria um resquício de uma fase inicial da adoção da tecnologia, quando a preocupação principal era separar conteúdos criados manualmente de materiais gerados por algoritmos.
A fala vem em meio a um cenário em que a Epic continua apostando pesado em ferramentas baseadas em IA dentro do ecossistema Unreal. A empresa já trata a tecnologia como parte estrutural do futuro da produção e o Unreal Engine 6 deve ampliar ainda mais esse foco. A visão da Epic contrasta diretamente com a postura da Valve, que tem pressionado por mais clareza em relação ao uso de IA, especialmente em conteúdos publicados na Steam, onde a transparência sobre assets, vozes e elementos gerados por modelos automatizados virou um ponto sensível para jogadores e desenvolvedores.
Enquanto isso, a SEGA enfrenta uma reação negativa por uma abordagem bem diferente, mas igualmente ligada ao tema. Um ARG (jogo de realidade alternativa) de Sonic the Hedgehog, pensado como ação promocional, acabou chamando atenção ao solicitar consentimento para o uso de dados dos participantes no treinamento de modelos de inteligência artificial generativa. A forma como essa autorização foi inserida na experiência levantou suspeitas de que o pedido teria sido apresentado de maneira discreta demais, quase escondido dentro da campanha, o que irritou parte da comunidade.
A crítica principal é que a empresa estaria tentando obter permissão para uso de dados em IA sem deixar isso claro logo de cara, especialmente em um universo de fãs já bastante atento a qualquer movimento corporativo envolvendo exploração de conteúdo, identidade visual e material coletado online. Em tempos de desconfiança crescente sobre como publishers e estúdios lidam com dados pessoais, qualquer menção a treinamento de IA tende a gerar alerta imediato — e, no caso de uma marca tão tradicional quanto Sonic, a repercussão costuma ser ainda maior.