A Kadokawa realizou nesta semana sua aguardada assembleia anual de acionistas e confirmou a permanência de seu CEO, Takeshi Natsuno, no conselho de administração, apesar da intensa campanha promovida pelo fundo ativista Oasis Management para removê-lo do cargo.
O resultado representa uma vitória importante para a atual gestão do grupo japonês de entretenimento, que atua nos setores de animes, mangás e jogos, e tem como principal ativo a FromSoftware, responsável por franquias de sucesso como Elden Ring. No entanto, a votação também revelou um claro desgaste na confiança dos investidores. O apoio à reeleição de Natsuno caiu para 59,68%, bem abaixo dos cerca de 90% registrados no ano anterior.
A pressão veio principalmente da Oasis Management, fundo sediado em Hong Kong que se tornou o maior acionista individual da Kadokawa após ampliar sua participação de 13,76% para 15,25% do capital da companhia. O grupo também indicou que pretende continuar adquirindo ações da empresa.
A Oasis lançou uma campanha pública nas semanas que antecederam a assembleia, defendendo que Natsuno deixasse o conselho. Segundo o fundo, o executivo seria responsável pela deterioração dos resultados financeiros da Kadokawa desde que assumiu a liderança em 2021.
Entre as principais críticas estão a queda do lucro por ação, a redução da rentabilidade para os acionistas e uma estratégia descrita pelo fundo como “quantidade acima da qualidade”, que teria enfraquecido algumas das propriedades intelectuais da empresa. A gestora também argumenta que a Kadokawa não aproveitou adequadamente o enorme sucesso global de Elden Ring, permitindo uma suposta “fuga de valor” em suas operações internacionais.
Especificamente, o fundo chinês cita a oportunidade perdida da FromSoftware publicar Elden Ring em todos os mercados, tendo terceirizado esta função à Bandai Namco sem necessidade. A própria FromSoftware foi a publicadora do jogo no Japão, mas acabou cedendo à Bandai Namco os direitos de publicação na Europa e Américas.
A campanha da Oasis chegou a receber o apoio das influentes consultorias de governança ISS e Glass Lewis, que recomendaram votos contra a recondução de Natsuno.
Apesar da ofensiva dos investidores ativistas, o conselho da Kadokawa sustentou que a remoção do CEO poderia comprometer as reformas em andamento na companhia.
Após a votação, a empresa reconheceu as preocupações demonstradas pelos acionistas e afirmou que irá revisar aspectos de sua estrutura de governança, remuneração de executivos e relacionamento com investidores. A companhia também destacou que continuará trabalhando para melhorar seus indicadores financeiros e aumentar o retorno aos acionistas.
O episódio é mais um sinal do crescimento do ativismo acionário no mercado japonês. Nos últimos anos, fundos como a Oasis e a Elliott Management têm pressionado empresas do país por maior eficiência operacional, melhor governança corporativa e maior geração de valor para os investidores.
Embora a tentativa de destituir Natsuno tenha fracassado, a forte redução no apoio recebido pelo executivo demonstra que a insatisfação de parte dos acionistas está longe de desaparecer. Com a Oasis agora controlando mais de 15% da companhia e indicando interesse em aumentar ainda mais sua posição, a disputa pela direção estratégica da Kadokawa deve continuar nos próximos meses.