O presidente e diretor de operações da Capcom revelou a receita para o bom momento vivido pela empresa, que há mais de uma década mostra crescimento contínuo de receitas e emplaca sucessos um atrás do outro.
Haruhiro Tsujimoto, que em 2007 assumiu o comando da Capcom como sucessor de seu pai e fundador, Kenzo Tsujimoto, explicou à revista japonesa Famitsu que o sucesso da empresa nos últimos anos se deve a uma mudança no foco do desenvolvimento dos jogos, que anteriormente era centralizado na liderança de um autor, mas evoluiu para um trabalho em equipe menos centralizado.
Segundo o executivo, os estúdios de desenvolvimento da Capcom funcionavam de forma semelhante aos de outras empresas, com suas propriedades intelectuais associadas a um criador, algo que cria riscos e limita a produção contínua de novos jogos.
“Na indústria de jogos, quando um título se torna uma série, muitas vezes acaba dependendo muito de um desenvolvedor em particular, tornando-se o que se chama de título individualizado”, explicou Tsujimoto. “Se essa pessoa não fizer um novo jogo, não haverá continuação. A direção da série fica atrelada às ideias de um único criador”.
A mudança que tirou o foco dos autores para privilegiar o enriquecimento do portfólio de marcas da Capcom teve um catalizador importante: o início da negociação das ações da Capcom na bolsa de valores de Tóquio em 2000.
“Discutimos o assunto com as figuras centrais por trás de cada franquia e, por fim, concordamos que deveríamos abandonar essa abordagem”, explicou Tsujimoto. “O que propusemos, em vez disso, foi a ideia de que cada título deveria ser essencialmente reconstruído do zero”.
Embora o objetivo fosse tornar a Capcom uma empresa mais atraente para investidores, Tsujimoto reconhece que havia o risco de queda nas vendas dos jogos, o que de fato ocorreu num período que coincidiu com a geração do PlayStation 3.
“Não nos importávamos mesmo que as vendas caíssem temporariamente como resultado, e ao adotar uma abordagem de desenvolvimento de jogos em equipe, a Capcom mudou drasticamente”, comentou o executivo.
Tsujimoto cita Pragmata como um exemplo mais recente do desenvolvimento em equipe da Capcom. Mesmo que os jogos surjam da visão de um autor, as ideias não ficam restritas às de uma única pessoa, e há participação ativa da equipe. O conhecimento acumulado pode ser transmitido para a próxima geração de desenvolvedores, permitindo a continuação das séries.
“Reunimos um grupo de pessoas que jogavam jogos da Capcom e pensavam ‘isso é divertido’ e ‘eu quero fazer um também’. É por isso que a mentalidade de propriedade intelectual é transmitida naturalmente”.
“Seja no desenvolvimento, no marketing ou na promoção, nossa força reside no fato de sermos capazes de trabalhar juntos como um só – não como indivíduos, mas como uma equipe – impulsionados pelo desejo de criar e vender nossos próprios produtos. Nesse sentido, Pragmata, lançado em abril de 2026, é uma nova propriedade intelectual que realmente incorpora essa abordagem de desenvolvimento de jogos focada no trabalho em equipe”.
Apesar da Capcom estar em um ano especialmente bem sucedido, com recorde de vendas de Resident Evil Requiem e aclamação de Monster Hunter Stories 3 e Pragmata, além de um potencial novo sucesso com Onimusha: Way of the Sword, as ações da empresa tiveram queda de 38% nos últimos 12 meses. Se o mau desempenho não pode ser atribuído aos resultados da empresa, o mercado justifica a queda por movimentos maiores da bolsa japonesa, que têm punido com mais intensidade as empresas de ativos culturais, incluindo a Nintendo e a Sony.